Já passou todo esse tempo?
Que tempo estamos falando?
O tempo que passa, ora. Já passou?
Mas, tudo passa, não?
E o que passa diante de nossos olhos?
Passa também, não é verdade?
Não sei, talvez passemos no tempo...
Como assim?
Caminhamos durante um período de tempo, mas o tempo é o mesmo.
Não concordo, o tempo muda, a cultura muda, tudo muda.
Tudo muda e continua a mesma coisa. Temos a vida inteira para voltar sempre ao mesmo ponto.
Nunca é o mesmo ponto.
Talvez não o seja a maquiagem, a fantasia, mas o ponto é o mesmo.
Se o ponto é o mesmo, então não aprendemos? Não evoluimos?
Não.
Não é bem assim. Todos aprendemos alguma coisa, evoluimos profissional e pessoalmente.
Pode ser, mas o ponto é sempre o mesmo. nos colocamos diante de situações várias, diferentes umas das outras, mas estamos sempre diante da mesma coisa.
Bem, se estamos sempre diante do mesmo ponto e vivemos em círculos, para que viver?
Essa é a questão da existência: por que viver? Para que? Qual o sentido da vida e daquilo que projetamos n(d)ela?
Não há sentido, essa talvez seja a única verdade. Damos um sentido para sentirmo-nos pertencentes a algum tempo espaço. Como se fizéssemos parte de algum movimento maior, superior.
Deus está morto.
Certamente.
Nossa galáxia é mais uma dentre as milhares de outras galáxias espalhadas no Universo.
Correto de novo.
Mas, o que fazer para melhorar? Como ter acesso a isso que nos coloca sempre diante do mesmo ponto?
Análise pessoal. Escrutínio insólito. Confissão capitalista e estatutária de um atributo social disposto sobre a moralidade e a perversão.
Agora sim, não entendi nada.
Não faz sentido. É o que bate dentro de ti que vai voltar como questão.
A questão, então, é: como estar diante d'isso, voltando para o mesmo ponto, mas atingindo novos patamares? Conhecimento? Ciência? Trabalho? Amor?
Existência. Existir em si e no mundo. Diante de si e do outro. Movimentar-se num tempo vazio e infinito, ininterrupto e incrédulo. Sem sentido.
Nada faz sentido.
Nosso olhar o faz.
Qual o sentido em olhar?
Olhar já é sentido em si mesmo.
Monday, January 31, 2005
Saturday, January 29, 2005
Chega
Ah, coração insensato
Chega de remorsos, de rancores
Chega de saudades e dores
Ah, corpo dilacerado
Chega de arrependimentos e maltratos
Chega de insultos e descasos
Ah, adormecer custoso
Chega de imagens e pensamentos
Chega de ilusões e sofrimentos
Ah, sono intranquilo
Repleto de símbolos
Chega de intromissões e descuidados
Ah, acordar sonolento
Chega de delongas
Chega de nomes e esperança
Ah, delírio amoroso
Chega de remédios
Chega de soníferos e calmantes
Chega mais
Menos
Demais
Chegamos aqui, nesse lugar
Chega-se ali, com outro olhar
Chegara num lugar, diferente do amar
Chega de se apaixonar, de se mudar
Chega mais perto
Escuta só
Chega em algum lugar, espreita
Respira lenta e profundamente
Chega a dizer, sentir e pensar
Chega de frear, de ressentir e chorar
A vida é alegria, tristeza
Amor, ódio, paixão e beleza
A morte é deixar de sentir, de perder
O sentido próprio da vida
Sem ilusões, nem fracassos
Sem competições, sem descasos
Chega de correr, de nadar contra a maré
Chega mais, chega mais perto
Coloca teus lábios nos meus
Escuta meu coração vibrar
Repara em meus olhos a te fitar
Chega de saudades, de rancores e dissabores
Chega, chega de dizer, de sentir e pensar
Chega a algum lugar
Chega para ver, deixar-se ver
Chega perto, mais perto
Chega de remorsos, de rancores
Chega de saudades e dores
Ah, corpo dilacerado
Chega de arrependimentos e maltratos
Chega de insultos e descasos
Ah, adormecer custoso
Chega de imagens e pensamentos
Chega de ilusões e sofrimentos
Ah, sono intranquilo
Repleto de símbolos
Chega de intromissões e descuidados
Ah, acordar sonolento
Chega de delongas
Chega de nomes e esperança
Ah, delírio amoroso
Chega de remédios
Chega de soníferos e calmantes
Chega mais
Menos
Demais
Chegamos aqui, nesse lugar
Chega-se ali, com outro olhar
Chegara num lugar, diferente do amar
Chega de se apaixonar, de se mudar
Chega mais perto
Escuta só
Chega em algum lugar, espreita
Respira lenta e profundamente
Chega a dizer, sentir e pensar
Chega de frear, de ressentir e chorar
A vida é alegria, tristeza
Amor, ódio, paixão e beleza
A morte é deixar de sentir, de perder
O sentido próprio da vida
Sem ilusões, nem fracassos
Sem competições, sem descasos
Chega de correr, de nadar contra a maré
Chega mais, chega mais perto
Coloca teus lábios nos meus
Escuta meu coração vibrar
Repara em meus olhos a te fitar
Chega de saudades, de rancores e dissabores
Chega, chega de dizer, de sentir e pensar
Chega a algum lugar
Chega para ver, deixar-se ver
Chega perto, mais perto
Friday, January 28, 2005
Amor?
O que é amor, afinal? Perder-se no outro? Esquecer-se de si? Iludir-se com promessas e sonhos desvairados? Admito: não sei o que é amor. Quando pensei tê-lo descoberto, percebi que não havia nada ali senão rancor, mágoas e arrependimento.
Não falo por ninguém além de mim. Sou, certamente, uma pessoa difícil de se lidar, mas cativo quem convive comigo e sou capaz de alterar minha forma conforme as solicitações do outro. Talvez esteja aí meu erro: mudar-me. Não devo, e assim sugiro a todos que lerem, não me mudar em função do outro. A pior coisa que pode acontecer é isso. Pois quando se vê que o amor acabou, ou nunca existiu, temos de retroceder, voltar até aquele ponto em que estávamos.
É muito custoso ter de voltar, de aceitar o movimento da vida e não poder fazer nada para mudá-lo. Apenas o nosso movimento pode ser alterado, e, mesmo assim, com dificuldades e limites consideráveis.
Amor? Afinal, o que significa amor?
Não falo por ninguém além de mim. Sou, certamente, uma pessoa difícil de se lidar, mas cativo quem convive comigo e sou capaz de alterar minha forma conforme as solicitações do outro. Talvez esteja aí meu erro: mudar-me. Não devo, e assim sugiro a todos que lerem, não me mudar em função do outro. A pior coisa que pode acontecer é isso. Pois quando se vê que o amor acabou, ou nunca existiu, temos de retroceder, voltar até aquele ponto em que estávamos.
É muito custoso ter de voltar, de aceitar o movimento da vida e não poder fazer nada para mudá-lo. Apenas o nosso movimento pode ser alterado, e, mesmo assim, com dificuldades e limites consideráveis.
Amor? Afinal, o que significa amor?
Thursday, January 27, 2005
O amor, onde foi parar?
Respiro alto e com força. Perco o folêgo e a concentração. Só penso no amor e onde foi parar? Será que ele se vai junto com a pessoa? Mergulhar no outro é uma saída fácil para aplacar os conflitos e as frustrações internas. O problema está em mergulhar em si mesmo e fazer brotar o amor de dentro das vísceras até a pele e leva-lo ao mundo com carinho e cuidado.
O amor, onde foi parar? Estacionou em lugar proibido e foi rebocado. Arrastado até um pátio com centenas de outros amores perdidos. Corações partidos e mentes obcecadas. Idéias fixas e lembranças recorrentes. Imagens e sensações que emanam do corpo e habitam o espaço subjetivo, o dentro e o fora de nossa almacorpo.
O amor, será que ele pára em algum lugar? Ou está sempre transitando, procurando onde estacionar?
Não desejo para ninguém entregar o amor na mão do outro. Tampouco desejo que se arrastem aqueles amores confusos e derradeiros, que tratam tão-somente da insegurança e da falta de confiança. Para o amor não é preciso esforço, força de vontade, abrir mão e nem ceder.
O amor, onde foi parar? Parou por algum tempo em frente de casa e deu um alô. Apareceu na janela e saiu correndo sem dizer adeus. Aliás, disse. Mas não resolveu. Correndo, correndo até cansar, o amor foi parar longe de mim, perto da memória e daquilo que só imagino.
Onde foi parar o amor? Está aí?
O amor, onde foi parar? Estacionou em lugar proibido e foi rebocado. Arrastado até um pátio com centenas de outros amores perdidos. Corações partidos e mentes obcecadas. Idéias fixas e lembranças recorrentes. Imagens e sensações que emanam do corpo e habitam o espaço subjetivo, o dentro e o fora de nossa almacorpo.
O amor, será que ele pára em algum lugar? Ou está sempre transitando, procurando onde estacionar?
Não desejo para ninguém entregar o amor na mão do outro. Tampouco desejo que se arrastem aqueles amores confusos e derradeiros, que tratam tão-somente da insegurança e da falta de confiança. Para o amor não é preciso esforço, força de vontade, abrir mão e nem ceder.
O amor, onde foi parar? Parou por algum tempo em frente de casa e deu um alô. Apareceu na janela e saiu correndo sem dizer adeus. Aliás, disse. Mas não resolveu. Correndo, correndo até cansar, o amor foi parar longe de mim, perto da memória e daquilo que só imagino.
Onde foi parar o amor? Está aí?
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