Wednesday, February 02, 2005

Carnaval e loucura

Quem acredita nos ditames de época e nos valores que regem nossas atitudes, tende a deixar de lado as relações entre as coisas, entre as pessoas e os momentos. Somos tudo aquilo que sonhamos e mais um pouco no olhar do outro. A carnaval nos libera do enfadonho papel de cidadão civilizado e acostumado com as regras sociais, domesticado digamos assim. Como tentamos fazer com a loucura, tampando nossos ouvidos e fechando nossos olhos. Não percebemos as possibilidades e riqueza ímpar que existem na loucura. Sem romantismos. A loucura é feita de sofrimento, de uma angústia e perplexidade únicas. Porém, existe algo de criativo também. De uma nova configuração da vida e da realidade. Nesse sentido, o carnaval cria sua própria loucura, domesticada nos blocos e desfiles.
A loucura própria do carnaval é marcada pelo exagero e excesso. Um momento em que os limites se alargam e aquilo que nos anima pode vibrar. Aquilo que vem do animal humano, da origem de nosso ser primitivo.
O carnaval e a loucura em muito se assemelham. As falas entrecortadas, os olhares e sabores. Cheiros de uma nova vida que se abre. De sofrimento, de alegria, de surpresa e amor. Tudo que advém da loucura ou do carnaval é produtivo, uma vez que algo novo se estabelece. Uma outra razão. Talvez aquela esquecida no fundo do peito. Ou ainda aquela irremediável paixão pelo samba e vibração do carnaval.
Seja como for, loucura ou não, sob o domínio do clóvis ou na vida cotidiana, libertemo-nos, sejamos livres para mudar a realidade e as pessoas que nos rodeiam.

1 comment:

Anna said...

LIBERTEMO_NOS!!!