Tuesday, February 01, 2005

Olhando o galho seco

Um galho seco caído ao chão. Símbolo para o olhar, matéria em decomposição.
Um pedaço da árvore, de mim, que cai.
Como um esqueleto, olhando galho seco
Noto a ausência de significado em sua existência
Mas, o que chega ao olhar é o símbolo do tempo
Da eterna passagem do tempo e da perda
Daquilo que uma vez significou pouso, abrigo para os pássaros
Hoje, morto, cai ao chão, perde sua função, fica ali para alguém olhar.
Olhando o galho seco, vejo minha vida
Vejo a vida de muitos, de todos que uma vez amaram
O galho seco olha de volta, me diz que seu tempo acabou
Me saúda com graça e sorri com doçura.
Sua morte é apenas uma passagem
No tempo, no espaço, tudo é perecível, mesmo o amor.
O galho seco é amor, porque é belo, é sem sentido, perdido
Belo em suas formas, em seu conteúdo
Sem sentido em sua existência, em sua utilidade
Perdido ao estar caído no chão, separado da árvore que lhe deu origem.
Como um galho seco caído ao chão, reparo em você
Perdemos o contato, o fio da meada
Aquilo que nos ligava à árvore do amor e da fala
Caiu com o galho seco, passou na passagem do tempo
Das escolhas, dos olhos, dos corpos e pensamentos.
Olhando o galho seco caído ao chão, vejo a mim mesmo
Caído, saído de um todo, descolado do mundo
A parte do vivente, do presente inaudito, da graça do amor
Como o galho seco, uma parte de mim morreu
Mas, morreu com graça, beleza e amor

1 comment:

Anna said...

Mas morreu com graça,
beleza e amor.
Que lindo isso.