Monday, February 14, 2005

Outra vida

Acordei uma vez em lugar desconhecido
Não reconhecia nada, nem o cheiro do ar
Acordara de repente com o som de uma voz
Não sabia de quem, nem de onde ela vinha
Meu corpo cansado não conseguia mover
Minha mente perturbada não podia pensar
De imagem em imagem, figurava-se uma vida.
Acordei assustado, não sabia quem era
Ou o que estava fazendo ali e para onde ia
Não havia sequer uma poça para servir de espelho
Meus olhos não encontravam janelas, nem portas
Não havia paredes, nem teto, nem salas, nem quartos
Minhas mãos trêmulas procuravam em vão
Um encosto, uma ferramenta qualquer
Meus olhos marejados resistiam ao vento frio.
Respirava um ar cadenciado, pesado e inseguro
Pensava sem razão, nem limites, nas coisas da vida
No nascimento, na morte, no amor e no trabalho
Quem seria responsável por tudo aquilo?
Não será fácil encontrar respostas
Tampouco direções, sentidos para as questões
Um brilho intenso, porém distante me ligava
Me trazia para dentro de mim mesmo
Me sentia preso, antenado, implantado
Como um dente postiço na realidade da boca
Pendia como um cabelo solto, preso à roupa.
Acordei assustado, ofegante e perplexo
Diante daquela imagem, da minha figura
Preso, perdido, inaudito, esquecido
Um olhar sem retorno, sem o outro
Uma voz sem ouvido, sem tom nem sentido
Outra vida que se abria, uma vida que morria
Um sonho que há muito esquecia
De um brilho no escuro do esquecimento
Numa realidade perdida em realidades.
Outra vida, de alguém, de um sonho real
Vida outra, de ninguém, de um real onírico
Outra... vida... alguém... ninguém...

2 comments:

Anna said...

Vittorio,
quanta coisa, quanta coisa acontece ao redor e não percebemos? Eu não consigo nem imaginar.

Anna said...

Oi. Postei meu diário doido de viagem lá. E outras coisas também.