Sunday, March 13, 2005

Mulheres e mistérios

Cada pessoa, seja homem ou mulher, é um enigma em particular. Existem, por conseguinte, infinitas tentativas de dar forma a esse mistério da existência humana. Literatura, música, pintura, escultura, nossa! quanta coisa o ser humano constrói, transforma, inventa, cria, para ensaiar uma resposta a suas perguntas e devaneios.
Porém, a primeira e inegável diferença que marca a existência humana é o sexo. Tal diferença, contudo, sofre mudanças de acordo com a cultura e o tempo sócio histórico.
No entanto, ela existe de maneira intocável ao longo de toda história da humanidade. Aos homens uns papéis, umas possibilidades, oportunidades. Para as mulheres outros papéis, outras oportunidades, possibilidades, aberturas para existir.
Atualmente, as fronteiras estão cada vez mais diluídas. Os limites entre os sexos se estreitaram e continuam se estreitando conforme a sociedade estabelece novos parâmetros, ou modalidades de gozo. Já não existem papéis tão claros, distintos com clareza. Hoje, existir é uma questão (de) capital, se é que você me entende. É claro, entretanto, que o capital equivale ao poder, ao saber. Dessa forma, o sexo se torna uma questão de poder-saber-capital sobre si mesmo e o outro.
Para este autor que lhes escreve, o ser humano existe articulado, necessariamente, ao sexo que lhe constitui. Portanto, para este homem que lhes fala, a mulher é a personificação do mistério de existir. Existir no silêncio, no fala, na presença, na ausência.
A mulher é o código do qual surge todas as modalidades de gozo possível. Assim, sua manifestação enquanto fenômeno social e subjetivo, permanece um mistério, um enigma, capaz de enrolar o homem no mais denso emaranhado de nós e laços.
Mulheres e mistérios são sinônimos e figuras de uma existência marcada pela falta, pelo vazio. Sem ilusão de resolver qualquer mistério, o homem procura, desbrava, desmata, mata, sempre em busca de alguma metáfora possível para esse mistério que é a mulher.
Mulheres e mistérios, esfinges e pirâmides. Construções, formas, figuras e mitos.
Diferença entre sexos, entre existências em uma mesma falta. Olhares atravessados, corpos dialogando, bocas se tocando. Respiração de um existir solícito por novas formas de gozo.
Portanto, vivamos a falta, investiguemos essas modalidades de gozo, de existir na diferença essencial entre os sexos. Beijos a todos. Que Vênus os abençoe.

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