Saturday, March 05, 2005

procurava afoito por um lugar para sentar
minha respiração faltava, me deixando sem ar
suava por dentro, transpirava odores de lembrança
de sonho, de ideal buscado no tempo
percorrendo as linhas do deserto,
soprando junto com o vento,
meus olhos captavam muito pouco
de qualquer coisa
um vôo, um assobio longínquo
resplandece uma aurora mais no horizonte
perco de vista os nós da terra
soberbo céu, luz de amanhã
de ontem, de morte
de outro dia vivido na rua
procurando árvores para me esconder
me ajeitando entre um vento e outro
sentindo o vazio no estômago, na memória
vou, vou caminhar por aí
entre o céu e a terra, firmando meus passos
passando entre coisas, entre olhares
entrando a cada intervalo, num intervalo e num intervalo
melodia constante do tempo, tempo, tempo
ressonância acústica que vibra meu corpoalma
para sempre, estarei em contato com o mundo

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