Friday, April 08, 2005

Fantasia e sonhos

De repente, me vejo diante de minha própria imagem. Refletida no vidro de um prédio imenso. Reparo meus movimentos, meu ritmo, meu balanço. Noto como os braços se mexem e como nas pernas me apoio, flexionando-as contra o caminho irregular. Percebo pequenos detalhes, para a grande maioria, despercebidos, às vezes enaltecido.
Olho-me nos olhos, tento perceber a intensidade de meu olhar, procuro por meu corpo uma ilha de tensão e acúmulo de energia. Reviro estômago e vísceras em busca de um ponto singular, único. Vejo fios correndo ao redor do corpo, esticando-se, estirando-se. Perdendo-se no horizonte de fantasia e sonhos.
Antecipo alguns passos, antevejo situações e acontecimentos. Não me permito respirar o presente inaudito, a ausência da palavra morta no virtual desta tela. Estou um passo adiante, um passo atrás. Num contínuo vai e vem de ondas celestiais, as quais não nomeio por humildade e consciência de minha imaturidade.
Repúdio, ódio, esperança e carinho. Mistura humana de uma experiência vivida no presente conjugado de um verbo já escutado. Uma palavra que marca, num sentido e noutro. Numa direção e noutra. Placebo de efeito analítico, reposição de vitaminas.
Respiração do vento da inspiração esquecida no formato antiquado de uma tela quadrada. Gozo do toque do mistério aquecido na pele coberta de suor quente e afoito.
Em fantasia e sonhos percebo esse movimento de um olhar.
Resplandece na esperança de um novo dia, de um eterno acordar.
Recordar, relembrar, rememorar.
Quebra de significados correntes e correntes de significados.
Fragmentação do alienígena, alienação do fragmento.
Sentidos, descaminhos, desparate apaixonado.
Sôfrego balançar de olhos e bocas, corpos nus e almas dialogando.
Esgotamento e saciedade.
Pensamento e saudade.
Beijo e abraço.

1 comment:

Anna said...

Hei hei hei, quanta coisa em comum. Que vida louca. Ainda bem que tem-se amigos.
Te amo amigo, beijo.