Nesta noite solitária encontro na lua consolo para minha dor.
Sofro aos poucos, como veneno ao longo dos anos.
Vivo com medo, inseguro e descontrolado.
Passo pelos cantos da vida, esgueirando meu sinal.
Perco horas, dias, semanas, meses e anos.
Repetindo, correndo atrás das mesmas coisas.
Coisas imaginadas, desejadas, perdidas.
A falta precipita o desejo de criar um outro mundo.
Possível ao olhar, ao gosto e ao toque.
Realização da clivagem frente aos limites do real.
Perturbação e percepção distorcida.
Elementos inconscientes e desagradáveis.
Sonhos entrecortados e pedaços de colchas.
Girassóis e rosas, tulipas e hortências.
Borboletas, cigarras, calangos e lagartos.
Raiar infinito de uma estrela.
Procura de sentido para a vida. Trabalhe.
Escuridão da memória, inconstante aprendizado.
Estrelas cintilam e dançam ao ritmo do espaço ilimitado do universo.
Deito-me nas bordas da lua.
Espero chegar esse momento.
De consolo e abrigo, paz para a alma.
Descanso eterno de uma alma danada.
A existir na falta, na borda, na fronteira.
Na dúvida, no clamor, no sofrimento.
Agarro-me às suas curvas, entrego-me a seu apoio.
Respeito seu balanço, seu aconchego.
Sinto o movimento tranquilo da brisa noturna.
Interferências e pensamentos.
Conteúdos, formas e linhas.
Letras, imagens e sons.
Wednesday, April 06, 2005
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