Monday, April 25, 2005

Tanto tempo

Assim, leve e solto, o tempo passa e ao sujeito resta a escolha entre viver e viver. Como assim, viver? Ser no tempo, ser em intenção e engajamento, na erotização de idéias sublimadas. Cultura e vida em sociedade. Regras e valores compartilhados. Idéias sobre gênero, origem, experiência e existência. Fenômenos descritos, adscritos, prescritos por um suposto saber. Busca de títulos, aprofundamento de temas e estruturação de teoria. A lógica do saber institui-se sutilmente entre a construção da realidade subjetiva e a consciência da alteridade inexóravel do tempo. Conceito construído ao longo da estruturação social, com seus respectivos espaços e matérias, disciplinas e controle sob o mesmo teto. A diferença primordial do tempo subjetivo e do tempo cronológico se dá no próprio processo de estruturação de aspectos econômicos e dinâmicos do desejo subjetivo. A sociedade não é o reflexo do sujeito, ou do indivíduo. Este sim, muito mais suscetível à mudança que o meio, o sujeito estabelece defesas para se manter em equilíbrio com este outro. Um brinquedo, um brincar, um olhar, um trabalho, um objetivo. Um outro objetivo e onipresente. Perpétuo diálogo entre desejo e realidade. Ganhos e perdas. Frustrações e alegrias. "Encantos e desencantos do meu caminho". Experiência e aprendizado, desenvolvimento e produção. Obra de um ser desejante, que parte da crise para estabelecer novas normas de funcionamento, aprimorando habilidades e esquecendo outras. Construindo sua rede de contatos, fixações, referências entre pontos da história do sujeito enquanto ser social e urbano. Urbi et orbi. Túneis e trens, carros apressados, ônibus à toda. Barulho e medicância, vadiagem e tráfico. Juventude e infância ameaçadas. Vida arriscada entre prédios e academis de ginástica. Restaurantes e lanchonetes. Longa linha de decadência e corrupção de um povo por si mesmo. Por ser seu próprio chefe, por não cobrir as necessidades mais básicas para o crescimento de um ser criativo e capaz de alterar a determinação da cronologia enquanto inevitável fracasso da vida em sociedade. Engajado e presente o sujeito procura seu espaço, talvez vital. Cria parâmetros para avaliar os riscos e administrar as relações de custo e benefício que estabalece com tudo aquilo ao seu redor. Cabe a ele, ao sujeito de seu desejo, estipular as regras do jogo com a realidade e agir a partir da intencionalidade do ato. Apreendendo o ambiente como outro sujeito passível de mudanças e tão distante quanto o nosso próprio corpo. Da alienação de si e do outro, para a consciência de seu íntimo envolvimento com o meio objeto brinquedo.
Assim, leve e solto, tanto tempo é preciso para descrever sua condição inapreensível de uma realidade que dita as regras e nos coloca horários. Vida em sociedade, aqui vamos nós.

1 comment:

Anonymous said...

Real
Realidade do tempo
Assalto constante
Tom dim dom
Sino relógio ou criança brincando de pique?
No que quero acreditar?
No que querem que seja visto
Não!!!!!!
No que vejo
Desejo