Os momentos se alongam, extendem-se, detêm-se, preenchem um tempo espaço subjetivo.
Momentos irreais, fantásticos e apaixonados.
Quebra do espelho, descobrimento da falta, transbordamento do desejo.
Molduras, frames descolados, deslocados, fragmentados.
Composição de uma estrutura subjetiva em constante processo de produção.
Jogo de palavras, de ciladas, armadilhas vindas do pensamento.
Enfraquecimento do sensório em detrimento do cognitivo.
Capacidades e habilidades necessárias para funcionar na máquina social.
Que se torna o sujeito, em intrínsecas ligações com o território em que vive.
Perspectivas alucinadas, barreiras intransponíveis.
Soluções fantasmagóricas, repletas de simbolismo e agressividade.
Explosão, implosão.
Sistemas alienados, perplexos diante da complexidade.
Sem método, alheios às práticas de dominação e exercício do poder.
Inconscientes, inconsistentes, processos de significação do mundo e do sujeito.
Buraco inalienável.
Wednesday, June 29, 2005
Sunday, June 12, 2005
Entre olhares
Aqui estou novamente após longo período de reclusão e dedicação às coisas práticas da vida como trabalho e estudo. São tantas as idéias que tenho para esse espaço que por várias vezes me vi impotente diante da tela e do teclado. Agora, busco uma volta ao redor dessas idéias, para dialogar com um possível leitor sobre a singularidade do olhar.
Para muitos olhar significa contemplar por alguns instantes um acontecimento ou um objeto que atrai a atenção. Sem interesse, nem resistência, ele se esvai. Sendo assim caracterizado como uma função menor do ato de ver. Porém, se há algo de uma diferença entre olhar, enxergar e ver, este reside na interpretação pessoal das palavras que constrôem a gramática do sujeito.
Minha intenção é tão-somente a de levantar questões sobre a função do olhar e seus efeitos sobre o sujeito. Tarefa, diga-se de passagem, tão árdua quanto diferenciar as palavras citadas acima. Mas, procurarei colocar minhas questões e torcer para que minhas palavras incidam sobre o leitor de maneira a recolocar o problema do olhar.
Digo problema uma vez que olhar desperta conceitos, idéias e juízos ligados aos primórdios da vida subjetiva. O primeiro contato entre duas pessoas se dá no olhar. Neste relance de corpos e histórias singulares. Olhar, nesse sentido, ultrapassa os arredores da gramática simplificada de nossas palavras. Olhar, portanto, define uma posição, uma falta e um desejo.
Claro está que olhar prediz interação, mesmo que fugaz, entre dois sujeitos. Pois aí habita a particularidade do olhar que trato nessas palavras. Primeiro contato entre duas pessoas, última lembrança de um enlace pueril, olhar nos remete à base de nossa história, assim como interage nossos corpos com outros corpos. Olhar dessa forma quer dizer estabelecer contato. Uma ligação, mesmo que rápida e incerta, entre duas histórias e dois corpos.
No decorrer de nossa formação, estruturamos caminhos e pontos de referência aos quais reportamo-nos em caso de atrito e confluência de desejos. Estabelecemos uma posição, suscinta e ineficaz diante da falta e da distância entre corpos. Mesma falta que precipita o desejo e coloca novamente o problema do olhar. Olhamos enquanto seres partidos, esburacados e fixados em modos ancestrais de operar a relação com o real.
Diálogo de fantasias, olhar traz consigo lembranças e expectativas. Olhar o outro é, em certa medida, olhar a si mesmo. Reparamos naquilo que admitimos como possível, ignorando tudo aquilo que não seja familiar. Ir contra esse movimento é tarefa árdua que pode ser trabalhada em análise ou em outra forma de auto conhecimento. Olhar desperta paixões e temores guardados nos confins de nossas histórias.
Muitas patologias encontram no olhar, ou na ausência dele, sua base explicativa. Portanto, olhar é primordial para a vida, tanto quanto comer ou dormir. Olhar significa estar aberto para o mundo e suas vicissitudes. Suportar a distância e a ausência de sentido predeterminado da vida, são funções construídas no olhar entre dois sujeitos.
É nesse encontro do olhar que deixo minhas marcas, minha presença-ausência de ser faltoso e desejante. Olhar é dirigir-se ao mundo, ao outro, ao desconhecido, ao além daquilo que conheço. Portanto, deixo aqui um olhar demorado e carinhoso para quem inclinou-se durante alguns instantes sobre minhas palavras.
Para muitos olhar significa contemplar por alguns instantes um acontecimento ou um objeto que atrai a atenção. Sem interesse, nem resistência, ele se esvai. Sendo assim caracterizado como uma função menor do ato de ver. Porém, se há algo de uma diferença entre olhar, enxergar e ver, este reside na interpretação pessoal das palavras que constrôem a gramática do sujeito.
Minha intenção é tão-somente a de levantar questões sobre a função do olhar e seus efeitos sobre o sujeito. Tarefa, diga-se de passagem, tão árdua quanto diferenciar as palavras citadas acima. Mas, procurarei colocar minhas questões e torcer para que minhas palavras incidam sobre o leitor de maneira a recolocar o problema do olhar.
Digo problema uma vez que olhar desperta conceitos, idéias e juízos ligados aos primórdios da vida subjetiva. O primeiro contato entre duas pessoas se dá no olhar. Neste relance de corpos e histórias singulares. Olhar, nesse sentido, ultrapassa os arredores da gramática simplificada de nossas palavras. Olhar, portanto, define uma posição, uma falta e um desejo.
Claro está que olhar prediz interação, mesmo que fugaz, entre dois sujeitos. Pois aí habita a particularidade do olhar que trato nessas palavras. Primeiro contato entre duas pessoas, última lembrança de um enlace pueril, olhar nos remete à base de nossa história, assim como interage nossos corpos com outros corpos. Olhar dessa forma quer dizer estabelecer contato. Uma ligação, mesmo que rápida e incerta, entre duas histórias e dois corpos.
No decorrer de nossa formação, estruturamos caminhos e pontos de referência aos quais reportamo-nos em caso de atrito e confluência de desejos. Estabelecemos uma posição, suscinta e ineficaz diante da falta e da distância entre corpos. Mesma falta que precipita o desejo e coloca novamente o problema do olhar. Olhamos enquanto seres partidos, esburacados e fixados em modos ancestrais de operar a relação com o real.
Diálogo de fantasias, olhar traz consigo lembranças e expectativas. Olhar o outro é, em certa medida, olhar a si mesmo. Reparamos naquilo que admitimos como possível, ignorando tudo aquilo que não seja familiar. Ir contra esse movimento é tarefa árdua que pode ser trabalhada em análise ou em outra forma de auto conhecimento. Olhar desperta paixões e temores guardados nos confins de nossas histórias.
Muitas patologias encontram no olhar, ou na ausência dele, sua base explicativa. Portanto, olhar é primordial para a vida, tanto quanto comer ou dormir. Olhar significa estar aberto para o mundo e suas vicissitudes. Suportar a distância e a ausência de sentido predeterminado da vida, são funções construídas no olhar entre dois sujeitos.
É nesse encontro do olhar que deixo minhas marcas, minha presença-ausência de ser faltoso e desejante. Olhar é dirigir-se ao mundo, ao outro, ao desconhecido, ao além daquilo que conheço. Portanto, deixo aqui um olhar demorado e carinhoso para quem inclinou-se durante alguns instantes sobre minhas palavras.
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