O que suscita a imagem e irrompe em ato
energia suspensa, em anteparos virtuais
conjugados numa só matéria, um só corpo
uma direção e um objetivo
perambular enquanto morto vivo
vivendo de sonhos e fantasias
ar que infla os peitos
levanta as pernas e põe-se a correr
nas orelhas de livros, em estantes
de madeira tratada, largadas
orientadas num sentido único
atravessar a parede que se interpõe
romper com os paradigmas daqueles que pensam
que acreditam saber
dominar algo que seja dito de uma consciência
invadir a inconsciência, inconsistente relâmpago de fogo
consome o ar e brilha no escuro da noite
de um só movimento, transforma o ambiente
ilumina o caminho daqueles que passam
não sou um desses que deseja permanecer
o rio é constante e ininterrupto
basta acuidade suficiente para vê-lo
límpido correr de águas
pedras e seixos, cascalho e cachoeira
ventos frios e nuvens de mosquito
corridas e amor, experiências e vida
corre água, corre
leva contigo o investimento
a fantasia do olhar
a tristeza do pesar que reside em teu rosto
choras à vontade, gritas pelas corredeiras
ensurdece e amedronta
vai água, doce queimada
escorre lentamente
pelas telhas e paredes de pau a pique
de lama e bambu
sente o cheiro da terra molhada
a terra respira lentamente
desconta em nós,
o que desconfiamos
de uma lembrança traumática
de um sentimento de impotência
investe de si mesma, água rás
queima contigo os vermes do banheiro
do baú de fotografias
das lembranças escondidas
no porão do esquecimento
no correr dos dias lentos
demorados, pesados, passados
Thursday, July 07, 2005
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3 comments:
"verdades que sorriso nenhum
ja transformou em ducados;
verdades verdes acres impacientes
se assentam ao meu redor"
Nietzsche
Maior identificação com este poema... É o Eugênio MOntale de Niquiti city!!!! E mto mais bonito, hahahahaha!
Bjs,
Fabi.
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