Thursday, July 14, 2005

Ressonância

O espaço aberto e escuro da noite abriga diferentes personagens em suas histórias particulares.
O sujeito sozinho que caminha e fala sozinho. Repara as estrelas, sente a brisa fria do inverno, espanta-se com a grandeza do ambiente e emociona-se com a lua crescente brilhando no céu azul escuro.
O cachorro que o acompanha, sente seu cheiro e lambe sua canela. Senta-se ao lado do sujeito, repara a noite, olha seu dono, levanta-se e caminha para deitar-se mas afastado. Respira profundamente, ao mesmo tempo que o sujeito acende um cigarro.
O ponto laranja ilumina fragmentos do rosto e da mão dele. A fumaça desenha espíritos no vazio do espaço. Preenche seu interior e sai levada pelo vento até se dissiparem.
Permanece em pé, apoiado sobre a perna esquerda. Braços cruzados e olhar distraído.
Sente o passar do tempo e contempla a paisagem.
De repente, escuta o assobio mágico do morcego. Seu som provoca vibrações nas árvores, na construção e no sujeito, que retornam ao animal em imagens e sensações.
Sua plasticidade e leveza o levam pelo ar através da fumaça respirada pelo sujeito. Percebe o calor da chama e aproxima-se de maneira arrojada.
O sujeito não se mexe, observando o balanço do animal e sua ousadia em busca de alimento. Reconhecimento acústico. Reverberações. Repercussões. Ressonância.

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