Saturday, August 13, 2005

sensação-percepção

naquilo que trafego, borda
insuportável da ausência sua
num tempo espaço infinito
onde nem a lua se esconde
e o anjo se revela a mim, limite
da solidão profunda, infantil
da completude imensa do amor
sensação-percepção de horizontes
linhas e volumes, formas e conteúdos
peso e consistência, nas bordas
do real, lá e aqui, na entrega e na dor
na beleza da memória, fotos-palavras
na sensação viva do reencontro
do reconhecimento, palavras-gestos
naquilo que chamo de limite-horizonte
navegamos e dançamos juntos
em mares tempestuosos e calmos
caminhamos, subimos e descemos
dormimos e comemos, sorrimos
abrimos caminhos e sentidos
toques e olhares, beijos escondidos
suores e lágrimas, peitos ardidos
em chamas de um amor crescente
de uma admiração mútua e apaixonamento
surpresas e impulsos de almas expulsas
de seus corpos, conversando
em diálogos inauditos entre olhares
nas bordas das ondas e desejos
anseios e manifestações delirantes
num ponto distante no céu
entre a lua e seus olhares
entre o espaço-mundo existente
em nossos olhares-corpos-realidades
prementes e dispostos
ávidos e loucos, um pelo outro
em cachos e chamas
delírios e sambas, lapa e santa teresa
e tantos outros trens por aí
barcos a navegar
carros a dirigir e praias a visitar
acampar em diversos campos
e sempre no mesmo horizonte-mar
infinito do amor que sinto
da gata que anseio dia-e-noite
incompletas e ausentes
de sentido e propósito
sensação-percepção-delirante-amorosa