Thursday, September 22, 2005
Pousada
Refúgio para as almas desesperadas, em momentos de solidão e tédio infantil. Um lugar de pouso, de abrigo, onde as almas encontram repouso e continente para seus devaneios. Para chegar até ela é necessário atravessar florestas, rios, com suas águas caldalosas e negras, montanhas e lagos, com sua tranquilidade ambígua. Viagem entre mundos, quando se quer encontrar a pousada. Mas não qualquer pousada. E sim aquela de nossos devaneios vespertinos, no momento em que despertamos naquele lugar de descanso agitado das almas inquietas. Para essas pousadas, vamos sem compromisso, nem preocupação. Nossa ida é uma viagem em si mesma. Percorrer estradas e caminhos para acessar aquele campo da imaginação e da criação a partir da poesia que compõe a experiência de ser-em. Portanto, devir nessa pousada elementar, onde repousam lembranças e delírios, e acrescentar algumas pedras na estante. Retratos e símbolos de um tempo remoto, de outrora, de outra infância, aquela que não se esquece. Perturbamos esse estado de devaneio poético infantil ao entrarmos no mundo dos adultos, da metafísica particular da vida contemporânea. Buscamos, assim que podemos, novamente experimentar esse encontro repousante com a pousada que nos espera. Nos espera num tempo passado que é constantemente imaginado, não tanto no que deixou de ser, mas sim no que poderia ter sido. Afluentes que irrompem a terra e deslocam a construção para um terreno de segurança e continuidade. Espaço aberto para imaginar e criar situações as quais nem a memória, nem o corpo, experimentam fora do cosmos ao qual nos liga o devaneio. Na pousada encontramos extamente o espaço necessário para sonhar, mas não os pesadelos ou mistérios da interpretação da psicanálise. Aquele sonho que nos desperta para a poética da pousada que abriga nosso devaneio.
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1 comment:
Voei
Voei como borboleta distante
Pousei em terra estrangeira
Pousei e fiquei
meditando
todos os voos
todas as superficies
exploradas e inexploradas do solo terrestre
este que abriga os desabrigados
desde um tempo que nao vivemos
pousei e pousada continuo
voarei
voarei para terra minha
pousarei nos braços seus
por um tempo terrestre
nessa terra que nos abriga
desabrigados
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