Apesar de ser o mês de aniversário do meu irmão, Outubro sempre mexe comigo. Não sei explicar claramente o efeito que sofro desse mês. A palavra em si mesma carrega um conteúdo cinzento, nublado. Talvez nem seja pela convenção em que vivemos, mas sim pelo ciclo que ela procura calcular. Medir tempo e espaço. Através e a partir de experiências e compromissos sociais. Controle sobre desejo e necessidades. Limites e transgressão.
Como um amor de infância. Reencontrado em semblante. Num horizonte perdido em lágrimas e gozo. Uma existência interrompida. Um laço cortado. Um lugar escondido, esquecido em caixas e cartas abandonadas.
Como uma paixão adolescente. Aspirada em instantes. Num caldo efervescente em borbulhas e respingos. Um desejo ansioso. Um rodeio medroso. Um tempo mordido, mastigado e vomitado em sarjetas escuras e calçadas estranhas.
Como um carinho de jovens. Aflitos em toques e remédios. Num plano frágil e simbólico. Em pequenas rachaduras, fissuras entre mundos. Um suplício faltoso. Um olhar de relance. Um corpo e um espaço. Um pedaço de bolo.
Lampejos e lembranças.
Sunday, October 09, 2005
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