Monday, February 06, 2006

do caldo à floração

queimo a boca, a pele encosta, seca, molhada, sentida
sento, sinto, cheiro o vento e a luz que passam
recorro às palavras, ao sofrimento e à solidão
respiro o suor, a lágrima, a falta
perco, em rios e trilhas, sentido
sentidos de ser
do caldo à floração
quando arde e afeta, esmurra a cara
aparece sem querer e arranca da cama
adoece e faz crescer a distância
um hiato entre vapor e líquido
reminiscências de uma alma que grita
um choro calado, silencioso
uma lágrima invisível, um pedido inaudito
talvez, do fogo e do caldo, haja um broto
uma semente, um feto
um recém nascido ser
recém chegado, abraçado e olhado
em seu sofrimento e dependência
reflexo e retalhos entre colchas de cristais
um vento soprou, levando consigo
pétalas e caules, terra e raízes
e fez claro aos olhos daqueles que passam
o caldo de onde flora e renasce a esperança

1 comment:

Anna said...

Vittorio, que saudade meu amigo...muita muita muita...estou pra te escrever mas não consigo parar de só pensar...falência verbal. só dizer muita, muita, muita saudade, e muito bom te ler dai.
qualquer dia desses vou ai ver vocês.
muitos beijos de neguza.