esse dia parece não passar... peço para que a hora corra e minha hora chegue. atrasado para o último ônibus, tento correr e não consigo alcançar o fio da vida... respiro com dificuldade, transpiro e soluço sobre o real. esse sol parece não fugir... como quem hesita em partir. não se despede, nem diz adeus. permanece, reinando quieto e silencioso, sobre terra e mar... afugenta os ladrões de almas e acalenta os pobres de espírito. o azul transfigura-se aos poucos... perdido em tonalidades afugentadas, em recortes inusitados, em pedaços descolados. a massa mexe... se move, movendo os azulejos... arrumando o lugar. queima de combustível humano... líquido de uma semente esquecida no interior da selva de pedra. relíquia sem igual, iguaria máxima de toda uma geração... símbolo da lógica e do racional... extrapola os limites e apodera-se daquele que o criou.
esse tempo passa, mas não passa... sente escorregar, devagar, lentamente, entre pedras, rios e cachoeiras, praias, dunas e mares. vai e volta, me mostra o real da percepção, do fenômeno, da crise existencial.
passa tempo dentro de tempo... em círculos sub atômicos, em superfícies caladas, perfuradas e exploradas por máquinas de petróleo e caldo de gente. morre, mais um pouco.... morre tempo, deixa partir a mágoa, a tristeza e o comodismo típico do amor. leva contigo o alvorecer, o amanhecer e o entardecer... deixa comigo a percepção, o sentimento, a reflexão torta e dinâmica sobre o real.
vai, tempo, vai... deixa ser... deixa de ser, vai. vai, perdura tempo, passa em círculos ou rosquinhas cobertas de chocolate... quebra ao meio e relativiza, mostra o sentido, o movimento de tudo e de todos. não, não permita que pereça... diante de ti, de incomparável beleza e esplendor... amanhece novamente, e de novo e novamente... me mostra que sou inócuo e imperfeito, maldito e limitado. me defronta com a maleza da alma e com o êxtase do corpo... mistura tudo em roda e roda, roda mundo....
Saturday, February 04, 2006
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