sabe-se há muito da importância da comunicação para a vida cotidiana, sua influência sobre nossos conceitos e valores nos é tão arraigada que nem percebemos sua força em nossas mentes. é isso: somos guiados por pensamentos e imagens que nos antecedem e nos encostam na parede da existência enquanto rezamos e nos punimos pelos pecados imputados pela ordem religiosa de nossa sociedade.
culpa, erro, medo, sofrimento e desalento. sentimentos e estados da alma de um ser fragmentado em pequenas parcelas à prestação. pagamos com juros os dividendos de uma cobrança ancestral conosco mesmos. somos irremediavelmente enfermos de um mal, ou seria uma doença? social.
escutamos e respondemos aos ataques de um senhor pastoral e cúmplice de nossas quimeras e nossos devaneios solitários.
tentamos, em vão, nos comunicar e tornar comum sentimentos e pensamentos que nos convém afirmar que são únicos e verdadeiros diante da regra geral de verbos e substantivos espalhados pelo ar.
soltamos peidos e arrotos de uma língua perdida em hiatos e silêncios. conjugamos palavras e nomes em busca de entendimento mútuo e respeito à diferença. será isso mesmo??
falamos, escutamos, interpretamos e respondemos ao que nos é dito. tons e semitons. vozes e sílabas balançam ao roçar dos pulmões nas costelas de um ser esquecido.
procuramos fazer comum e nos confundimos, nos perdemos em mensagens entrecortadas, em espaços distilados e tempos recortados.
presente, passado e futuro coexistem na palavra e na vã tentativa de tornar nossas imagens filme de uma história que pode e deve ser contada aos demais.
nos perdemos em justificativas e palavras demasiadamente pesadas e sem sentido.
o gesto e a ação correspondem ao inverso do verbo substanciado em pensamento e imagem.
Saturday, April 22, 2006
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