Elogio
Epífane donde atuam dois personagens, um homem e uma mulher.
Seu encontro é repleto de gestual e tons suaves e carinhosos.
Seus corpos se abraçam e seus rostos se encontram lado a lado.
Mãos e braços envoltos um no outro.
Respiram o mesmo tempo, o mesmo ar e ardor do amor.
Seus olhos se encontram e sorriem. De si, para si, para os outros.
Não se importam com o alheio. Suas atenções estão voltadas uma para o outro.
Seus lábios se encostam suavemente. Peito contra peito.
Flutuam como pétalas jogadas ao ar. Explodem em vermelho e amarelo.
Seguram-se aos ombros e nucas. Lambem-se um ao outro.
Derramam-se um pelo outro. Na fogueira da paixão.
Deitam em flores e espinhos, formigas e abelhas.
De tudo sentem neste encontro.
E elogiam o amor que os queima e os dilacera a alma.
Perduram, sem fôlego, ligados um ao outro.
Atrasam a despedida e cancelam compromissos.
Comprometem-se a amar um ao outro inquestionavelmente.
***
Tragédia (a seguir)
Monday, May 29, 2006
Saturday, May 27, 2006
tudo começa com uma lista
organizar e produzir eventos. temas. conceitos. cores. música. cardápio. convidados.
lista. é o movimento e a qualidade do evento. deve reunir sempre um número maior de mulheres que homens. nome completo. telefone. mail. data de nascimento. endereço e foto.
tema. captura a atmosfera do evento. determinante quanto à elaboração do projeto como um todo.
oriental. vermelho. branco. preto. dragões.
conceito. sustenta o tema do evento na produção decorativa e organizacional.
festa dos pés descalsos. os convidados retiram seus calçados na entrada e, com os chinelos de bambu, caminham sobre diferentes ilhas.
cores. além de equilibrar o ambiente, as cores emitem uma mensagem e reforçam determinados conceitos.
vermelho. transmite vibração, força, coragem, fogo, paixão.
branco. passa tranquilidade, paz, calma, fôlego.
preto. transmite o insight, o encontro com si mesmo na mensagem do evento.
música. é a pulsação do evento e deve ser planejada por toda sua duração.
estilos orientais. eletrônica. ao vivo.
cardápio. dispõe da comida e da bebida que serão servidas no evento. combinam necessariamente com o tema. variedade e qualidade.
culinária japonesa. sushi. sashimi. yakisoba. misoshiru.
bebida. saquê. frutas exóticas. espumante.
convidados. tudo começa com uma lista. contatos. determinação e empenho na divulgação do evento.
eventos empresariais são muito mais simples que eventos comemorativos ou temáticos.
há uma diferença considerável entre os serviços. tanto no organizacional quanto no orçamento. o que justifica preços distintos.
o evento deve contemplar aspectos da natureza, da cultura, do local e do cliente. reunindo-os de maneira integrada e coesa.
objetivo do evento. oferecer uma experiência sensorial e espiritual. ampliando dimensões.
lista. é o movimento e a qualidade do evento. deve reunir sempre um número maior de mulheres que homens. nome completo. telefone. mail. data de nascimento. endereço e foto.
tema. captura a atmosfera do evento. determinante quanto à elaboração do projeto como um todo.
oriental. vermelho. branco. preto. dragões.
conceito. sustenta o tema do evento na produção decorativa e organizacional.
festa dos pés descalsos. os convidados retiram seus calçados na entrada e, com os chinelos de bambu, caminham sobre diferentes ilhas.
cores. além de equilibrar o ambiente, as cores emitem uma mensagem e reforçam determinados conceitos.
vermelho. transmite vibração, força, coragem, fogo, paixão.
branco. passa tranquilidade, paz, calma, fôlego.
preto. transmite o insight, o encontro com si mesmo na mensagem do evento.
música. é a pulsação do evento e deve ser planejada por toda sua duração.
estilos orientais. eletrônica. ao vivo.
cardápio. dispõe da comida e da bebida que serão servidas no evento. combinam necessariamente com o tema. variedade e qualidade.
culinária japonesa. sushi. sashimi. yakisoba. misoshiru.
bebida. saquê. frutas exóticas. espumante.
convidados. tudo começa com uma lista. contatos. determinação e empenho na divulgação do evento.
eventos empresariais são muito mais simples que eventos comemorativos ou temáticos.
há uma diferença considerável entre os serviços. tanto no organizacional quanto no orçamento. o que justifica preços distintos.
o evento deve contemplar aspectos da natureza, da cultura, do local e do cliente. reunindo-os de maneira integrada e coesa.
objetivo do evento. oferecer uma experiência sensorial e espiritual. ampliando dimensões.
Wednesday, May 10, 2006
instantes...
no que acreditar? vivemos um tempo de tormentas instantâneas, simultâneas com grandes abalos existenciais. mudanças climáticas de nossos interiores e afecções as mais diversas de nossa forma e expressão de vida. tsunamis de ódio e revolta, furacões de aspereza e incredulidade incomensuráveis. terremotos e explosões de seres praticamente partidos, desprendidos de suas essências, de suas existências pueris e febris.
de que vale acreditar? encontramos signos e símbolos de nossa cultura capitalista e consumista. corrompidos pelo desejo da falta, pelo vazio nunca preenchido, tampouco observado de frente, dialogado diante de si mesmo. perfilamos, de lado, escapamos sorrateiramente desse encontro fatídico com nós mesmos. pobres coitados de coração e almas peladas, pescadas na enseada da vida, como objetos à deriva, à espera de um dia melhor, de instantes de alegria e compaixão.
pesadelos e lágrimas de um recém nascido ser, que brilha recoberto de sangue e suor de sua mão parideira. repele a dor, o sofrimento, como as piores coisas da vida. expulsa de si seu próprio ser e enquanto aguarda o instante chegar, relaxa, se conforma com o repulsivo e descarado desejo do capital.
entregues aos instantes de loucura e controle de nossos instintos, perdemos a batalha do amor contra o ódio. deixamos de lado nossa natureza, em prol do desenvolvimento de personalidades histriônicas, esquizóides e paranóicas. instantes atrás de instantes. perdidos entre mundos de significados distintos e alheios ao outro, à cultura, à sociedade que nos dita o modus operandi de ser.
somos. o que? instantes de consciência e engano. momentos de prazer e satisfação parcial do desejo de consumo. perplexos. rastejamos atrás do poder e da satisfação plena, nunca alcançada. perduramos, exaustos, enquanto pequenos lagartos, vibrando ao olhar da criança que, assustada, joga uma pedra em nossa casca verde e dura de quem andou longos desertos atrás de si mesmo.
perseguindo nossa própria sombra, instantes de clareza e finitude de nossa existência. rompimento de limites e contratos com a história que nos delega funções e papéis sociais, aos quais devemos apenas repulsa e recalque.
instantes de obscuridão, de experiências sensoriais e perceptivas que nos ultrapassam e nos recolocam diante de nós mesmos. sofremos em instantes de percepção, de indignação com nossa própria fome de desejo, de necessidade de querer e desejar sempre algo alheio e diferente de nós mesmos.
buscamos, portanto, sempre a mesma coisa, o mesmo instante derradeiro de conforto e relaxamento de espírito. de desprendimento e constrangimento diante de nossa mãe, de nossa provedora, de quem nos alimenta com o próprio seio.
instantes de troca e conflito, significados perdidos, recolhidos em pequenas conchas e sambaquis. resquícios de uma época perdida. instantes de regojizo e júbilo eternos. somente naqueles instantes...
de que vale acreditar? encontramos signos e símbolos de nossa cultura capitalista e consumista. corrompidos pelo desejo da falta, pelo vazio nunca preenchido, tampouco observado de frente, dialogado diante de si mesmo. perfilamos, de lado, escapamos sorrateiramente desse encontro fatídico com nós mesmos. pobres coitados de coração e almas peladas, pescadas na enseada da vida, como objetos à deriva, à espera de um dia melhor, de instantes de alegria e compaixão.
pesadelos e lágrimas de um recém nascido ser, que brilha recoberto de sangue e suor de sua mão parideira. repele a dor, o sofrimento, como as piores coisas da vida. expulsa de si seu próprio ser e enquanto aguarda o instante chegar, relaxa, se conforma com o repulsivo e descarado desejo do capital.
entregues aos instantes de loucura e controle de nossos instintos, perdemos a batalha do amor contra o ódio. deixamos de lado nossa natureza, em prol do desenvolvimento de personalidades histriônicas, esquizóides e paranóicas. instantes atrás de instantes. perdidos entre mundos de significados distintos e alheios ao outro, à cultura, à sociedade que nos dita o modus operandi de ser.
somos. o que? instantes de consciência e engano. momentos de prazer e satisfação parcial do desejo de consumo. perplexos. rastejamos atrás do poder e da satisfação plena, nunca alcançada. perduramos, exaustos, enquanto pequenos lagartos, vibrando ao olhar da criança que, assustada, joga uma pedra em nossa casca verde e dura de quem andou longos desertos atrás de si mesmo.
perseguindo nossa própria sombra, instantes de clareza e finitude de nossa existência. rompimento de limites e contratos com a história que nos delega funções e papéis sociais, aos quais devemos apenas repulsa e recalque.
instantes de obscuridão, de experiências sensoriais e perceptivas que nos ultrapassam e nos recolocam diante de nós mesmos. sofremos em instantes de percepção, de indignação com nossa própria fome de desejo, de necessidade de querer e desejar sempre algo alheio e diferente de nós mesmos.
buscamos, portanto, sempre a mesma coisa, o mesmo instante derradeiro de conforto e relaxamento de espírito. de desprendimento e constrangimento diante de nossa mãe, de nossa provedora, de quem nos alimenta com o próprio seio.
instantes de troca e conflito, significados perdidos, recolhidos em pequenas conchas e sambaquis. resquícios de uma época perdida. instantes de regojizo e júbilo eternos. somente naqueles instantes...
Friday, May 05, 2006
da utilidade da vida
não é incomum ouvir coisas do tipo "isso não é bom para você", ou "o melhor seria fazer isso ou aquilo", e assim vai. são tantas e tão frequentes as frases com algum sentido para nossas vidas. na minha postagem anterior, tentei tratar desse assunto, mas, pelo visto, fui mal sucedido. minha intenção inicial era de discutir o sentido da vida contemporânea e, após ler minhas próprias palavras, percebi que corri em volta, mas não cheguei ao cerne da questão. antes que meu tempo acabe, vou procurar sintetizar minhas idéias para atingir, ou chegar perto do meu objetivo principal.
viver hoje é o reflexo de nossa história, não seu exato retrato ou a simples repetição de padrões de repetição passados em gerações de famílias e da sociedade capitalista. não. nossa vida tem um sentido muitas vezes pré determinado, ao qual não conseguimos, ou não tentamos nos questionar a respeito. quando acreditamos sair de nosso padrão e estabelecer novos parâmetros, podemos estar, aí mesmo, repetindo mais uma vez aquele inusitado padrão, ou modelo de conduta que nos atravessa.
nesse sentido, de escapar ao índice da utilidade de nossas ações, chamo atenção à nossa capacidade de transformar e transfigurar a realidade em pequenos quadros simbólicos, os quais desprendem-se da realidade que nos atravessa e nos torna capazes de criar outros mundos e outras formas de viver.
dessa forma, escapando e transfigurando o sentido da vida, subvertemos o sistema simbólico vigente e criamos uma nova matriz, uma outra estrutura de ação que pode, se tivermos sorte ou empenho suficiente, mudar nossa posição diante da utilidade da vida.
viver não é produzir, tampouco trabalhar, ou ainda, entregar-se ao caráter capitalístico da sociedade contemporânea.
viver não pode ser simplesmente acordar, levantar, patrocinar-se em ações e delitos contra a própria alma. resignar-se com a estratificação do desejo e o dilaceramento da falta. viver é, portanto, ir contra a maré, dirigir-se contra a multidão de desafortunados, incrédulos da mudança e da transfiguração da realidade a partir da criação de outros sistemas de funcionamento, tanto da psique quanto da máquina do desejo.
estar vivo e dar sentido à vida, pertence à esfera da dialética entre eu e outro, entre si mesmo e o mundo circundante. diálogo no qual estabelece-se direitos e delitos, regras e contra regras, camêras e diretores, produtores e atores.
escolhemos meio ao acaso nossa função no grande teatro da vida. sempre procurando nos ajustar e coibir os impulsos e instintos mais primitivos, os quais nos remetem à nossa natureza selvagem e contraditória.
com tantos avisos e com tanta ciência, esquecemos do papel do inconsciente e da vida anímica em nossas atitudes diárias.
quando pensamos ou nos dizemos da utilidade da vida, temos em mente sentidos e símbolos inconscientes, passados na esfera da linguagem, da sociedade. esquecemos, portanto, de nossa vida animal e inconsciente, que controla e dita nossas escolhas.
viver não tem utilidade. não estamos vivos no intuito de aprimorar ou evoluir, tampouco de aprender ou crescer, consigo e com os outros.
estamos vivos para nutrir nossos desejos e responder com afeto ao impulsos inconscientes que queimam nossa alma e nos lançam ao desconhecido.
viver não é ser bom no trabalho, tampouco conseguir servir mais mesas que o antigo garçom.
viver não é, tampouco, prescindir do animalesco e incontrolável desejo de romper com a realidade e com os limites impostos pela sociedade utilitarista.
dificilmente nos damos conta quando respondemos como automâtos aos estímulos do mundo, e ainda menos quando propomos ao mundo um modo de ser que acreditamos quebrar com o paradigma atual.
simplesmente atuamos no cenário, acompanhamos a lente e a direção de filmagem. respondemos como atores de segunda classe na película do estigma da vida útil e prestativa.
quando rompemos com o enlace, definitivamente, do assujeitamento e da domesticação da loucura, aí sim, somos capazes de responder ao mundo e a nós mesmos, sem um sentido para a vida, muito menos um sentido útil e produtivo aquilo que conhecemos como desejo e falta.
finalmente, ser capaz de romper com a produção de sentido utilitarista da vida, é ser capaz de ir contra si mesmo e abster-se de sua própria falta e de seu próprio desejo, sabendo-os inescrupulosos e vulgares.
por hoje é só.
viver hoje é o reflexo de nossa história, não seu exato retrato ou a simples repetição de padrões de repetição passados em gerações de famílias e da sociedade capitalista. não. nossa vida tem um sentido muitas vezes pré determinado, ao qual não conseguimos, ou não tentamos nos questionar a respeito. quando acreditamos sair de nosso padrão e estabelecer novos parâmetros, podemos estar, aí mesmo, repetindo mais uma vez aquele inusitado padrão, ou modelo de conduta que nos atravessa.
nesse sentido, de escapar ao índice da utilidade de nossas ações, chamo atenção à nossa capacidade de transformar e transfigurar a realidade em pequenos quadros simbólicos, os quais desprendem-se da realidade que nos atravessa e nos torna capazes de criar outros mundos e outras formas de viver.
dessa forma, escapando e transfigurando o sentido da vida, subvertemos o sistema simbólico vigente e criamos uma nova matriz, uma outra estrutura de ação que pode, se tivermos sorte ou empenho suficiente, mudar nossa posição diante da utilidade da vida.
viver não é produzir, tampouco trabalhar, ou ainda, entregar-se ao caráter capitalístico da sociedade contemporânea.
viver não pode ser simplesmente acordar, levantar, patrocinar-se em ações e delitos contra a própria alma. resignar-se com a estratificação do desejo e o dilaceramento da falta. viver é, portanto, ir contra a maré, dirigir-se contra a multidão de desafortunados, incrédulos da mudança e da transfiguração da realidade a partir da criação de outros sistemas de funcionamento, tanto da psique quanto da máquina do desejo.
estar vivo e dar sentido à vida, pertence à esfera da dialética entre eu e outro, entre si mesmo e o mundo circundante. diálogo no qual estabelece-se direitos e delitos, regras e contra regras, camêras e diretores, produtores e atores.
escolhemos meio ao acaso nossa função no grande teatro da vida. sempre procurando nos ajustar e coibir os impulsos e instintos mais primitivos, os quais nos remetem à nossa natureza selvagem e contraditória.
com tantos avisos e com tanta ciência, esquecemos do papel do inconsciente e da vida anímica em nossas atitudes diárias.
quando pensamos ou nos dizemos da utilidade da vida, temos em mente sentidos e símbolos inconscientes, passados na esfera da linguagem, da sociedade. esquecemos, portanto, de nossa vida animal e inconsciente, que controla e dita nossas escolhas.
viver não tem utilidade. não estamos vivos no intuito de aprimorar ou evoluir, tampouco de aprender ou crescer, consigo e com os outros.
estamos vivos para nutrir nossos desejos e responder com afeto ao impulsos inconscientes que queimam nossa alma e nos lançam ao desconhecido.
viver não é ser bom no trabalho, tampouco conseguir servir mais mesas que o antigo garçom.
viver não é, tampouco, prescindir do animalesco e incontrolável desejo de romper com a realidade e com os limites impostos pela sociedade utilitarista.
dificilmente nos damos conta quando respondemos como automâtos aos estímulos do mundo, e ainda menos quando propomos ao mundo um modo de ser que acreditamos quebrar com o paradigma atual.
simplesmente atuamos no cenário, acompanhamos a lente e a direção de filmagem. respondemos como atores de segunda classe na película do estigma da vida útil e prestativa.
quando rompemos com o enlace, definitivamente, do assujeitamento e da domesticação da loucura, aí sim, somos capazes de responder ao mundo e a nós mesmos, sem um sentido para a vida, muito menos um sentido útil e produtivo aquilo que conhecemos como desejo e falta.
finalmente, ser capaz de romper com a produção de sentido utilitarista da vida, é ser capaz de ir contra si mesmo e abster-se de sua própria falta e de seu próprio desejo, sabendo-os inescrupulosos e vulgares.
por hoje é só.
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