muitos afirmam, após o grande avanço das tecnologias médicas, que as emoções têm origem no sistema límbico, na confluência de hormônios e substâncias neuroquímicas que correspondem às emoções. outros tantos dizem que as emoções são fruto do aprendizado e do binâmio estímulo resposta, que condicionaria o comportamento afetivo em suas diferentes instâncias.
no entanto, podemos dizer que as emoções são, sem dúvida, processos internos e externos de assimilação e acomodação que interagem simultaneamente na construção de um rapport entre o corpo e o meio. nesse diálogo intenso entre exterior e interior, as fronteiras são tênues e de difícil localização. quais serão os limites entre eu e outro, entre o particular e o coletivo, entre o (re) conhecido e a diferença?
de certo, são muitas as perguntas, sobretudo no que tange as emoções e sua influência sobre nossa vida diária. sabemos, contudo, que elas são a expressão mais pura de nosso caráter e denunciam sem dó nossas mais profundas intenções.
um impulso, um pensamento e um gesto. o corpo manifesta de maneira clara e indistinta toda a gama de emoções que podem se dizer traduzíveis de nossa experiência vital.
a mente, inconsciente e consciente em luta constante, dribla sentimentos hostis e cria em torno de si mesma uma rede de significantes que enredam uma história de aprisionamento e expressão das emoções. essa pequena parcela que encontra um caminho para sair do circuito interno da mente corpo individual, transforma-se em lixo e sucumbe ao encontro do real.
porém, daquela parte que permanece instável e volátil em nosso interior, cria símbolos e metáforas, alegorias que traduzem as emoções do coletivo, daquilo que acostumamos chamar de social.
ora, se as emoções são tanto individuais quanto coletivas, como dizer que elas têm sua origem em processos neuroquímicos? ou ainda, que são fruto do aprendizado estímulo resposta? seriam as emoções respostas condicionadas? ou percepções tardias de um desenvolvimento lento e duradouro do ser humano?
são emoções.... e têm origem exatamente no diálogo entre os seres, eu e outro, si mesmo e o mundo ao redor.
Monday, July 10, 2006
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