inicio mais uma tentativa de dar forma às palavras que transbordam de meu corpo e estreitam o laço entre pensamento e afeto. não refleti, tampouco previ essa atitude insana de largar aqui essas palavras. meu sentido é incerto, porém, duradouro. só não sei até quando. será que a vida é uma peça? digo, uma piada? alguma brincadeira sem graça? ou será simplesmente uma peça teatral, com atores principais e coadjuvantes, cenografistas e técnicos de luz e som? uma peça, é certo, nunca é simples, somente para aqueles que assistem-na. meu caso, no entanto, é diferente.
estou em constante balanço entre o palco e as poltronas. reconforto-me na tranquilidade de espectador e, por vezes, me aventuro e incorporo a personagem que nasce de meu interior.
angústia e tristeza são os sentimentos que se fazem presente e presentificam a ausência de sentido e direção da vida. reflito. imagem por movimentos. reflexos do momento, instantâneos eternos, repetidos aleatoriamente. suspiro inacabado. choro guardado. medo e pavor do encontro comigo mesmo. fuga e dilaceramento da alma.
eco das barreiras e percalços do peregrino. ondas e vento forte batem em meu corpo. o frio se acalma com o sol que queima e marca minha pele.
protejo-me com um chapéu de palha. uma imagem. um som. um sabor. um devaneio de primavera.
um súbito esclarecimento da mente, reflexo da alma entorpecida em fugazes instantes de loucura e transbordamento.
perplexidade e alucinação. signos de uma linguagem extinta, porém, rememorada em cada lágrima.
subindo e descendo o vale dos afetos, vejo-me caminhando, só. indo, sem receio do que encontrar. sem rastro do caminhar. pegadas apagadas pelo vento. suor e lágrimas de um eterno sonhador.
primavera de luz, de sol e beleza inigualáveis. guarapuvus encandescentes, amarelo e verde e marrom colorem o morro atrás do quarto. a lontra veio e já se foi. passeou pela rua, tentou falar-me alguma coisa. não entendi. talvez estivesse dizendo: olhe como sou feliz, não tenho que escolher, tampouco corresponder.
ao olhar, ao coração e ao corpo de quem diz nos amar.
ou talvez ela tenha perguntado: guri, por que andas tão triste? não vês que a vida reserva-lhe grandes emoções?
não sabia, de certo, que montanha russa já tinha sido ligada. estou subindo ainda...
Sunday, November 12, 2006
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