as pessoas circulam sem saber pra onde vão.
suas pernas seguem um caminho imposto pelo patrão, pela ordem.
suas mentes obcecadas pelo resultado, pelo objetivo, pela chegada que nunca chega.
seus braços não servem pra nada, a não ser pagar a passagem e dirigir seus veículos.
braços, pernas e mentes desconexas, perdidas na atmosfera.
seguem, perseguem, se submetem.
em conversas impertinentes, em olhares desobedientes.
em posturas diferentes, e corpos resplandecentes.
o que acontece? o que passa?
a vida. a vida.
a morte. a morte.
eu e você. você e eu.
conversamos, decidimos um pelo outro, cada um por si.
nos movimentamos, nos perdemos, nos entreolhamos, tocamos um no outro.
sobressalto em pleno vazio. calçado em asfalto quente.
saltitas, percebes a verdade que abala a mente e o corpo.
faz tremer o chão e quebra o tijolo.
desarticula as palavras e queima a vista.
percebes a grosseria? notas o movimento? ou segues absorto?
os olhos conversam, não sabem o que dizem, transcorrem o rio...
de janeiro? tavares?
enquanto conversam, os olhos desviam, decidem por si só, sem corpo, nem mente.
perplexos em fragmentos de espelho soltos, pendurados na realidade frágil e instável.
seguem indecisos, à procura de algum movimento.
conversam em pequenos saltos, buracos existenciais de almas deslocadas.
decidem pelo outro que em si existe.
movimentam-se soltos, presos em linhas hexagonais, esquinas urbanas.
Thursday, December 14, 2006
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