Monday, July 23, 2007
suspiros...
nesta luta diária, percebo que meu maior adversário sou eu mesmo, meus medos, meus receios, recalques e desvarios. para onde sigo? com quem sigo? não pararia hoje de fazer-me perguntas que não têm resposta. repouso no saber de mim mesmo, no que posso fazer para dirigir minha vida em direção aquilo que considero meta, objetivo, ponto de chegada. somente para descansar, acolher-me por alguns instantes, para depois prosseguir viagem em busca disso que não sei o nome. recolho-me na insignificância de algumas palavras que tentam expressar uma decisão, uma escolha, que não sei, nem de longe, se é acertada. sei, somente, que devo escolher, antes que escolha sozinho, preciso escolher com você. decidir com você o destino de nossos olhares, de nossas bocas e corpos mutilados. aos poucos, sinto que tudo irá entrar na grande corrente da vida e encontrar seu espaço no mundo de sensações e pensamentos que compôem minha paisagem existencial. se durmo e sonho é com imagens desconhecidas, perdidas entre lembranças e devaneios, sustos e risos. de um circo, picadeiro de humor e lágrimas, palco de horrores e pavores de um mundo só, de um solo partido, marcado pela chuva e pelo sol. sou tantas coisas que não sei quem sou. sou tantos olhos que não sei o que vejo. sinto tantos corpos que não sei onde está o meu. corpo, linha, direção. olhar, sentir, pensar. refletir, perceber, montar. um grande quebra-cabeça que se impõe à minha frente. sou o que? vento, lágrima, soluço.
Sunday, July 15, 2007
devaneios
tantas mudanças, tantos caminhos têm se aberto aos meus olhos, fazendo transparecer algumas belezas e muitas tristezas que encontramos na vida. nunca antes havia pensado em encontrar tais situações e ter de enfrentá-las do meu modo, com as armas que tenho e o impulso que me anima. percebi as alterações refletidas na carne, da pele, nos nervos, na alma. as pequenas marcas, profundas marcas que alteram meu sentido, que traçam um percurso até então desconhecido. percebo a estranheza de mim mesmo, reparo em minha presença-ausência na vida de outras pessoas, como estas me percebem e encaram meu jeito de ser. minha lente suja e limitada me impede de ir além, de vencer meus limites, de ultrapassar as fronteiras que me deixam cristalizado em alguns momentos. essas paradas, apesar de necessárias, não podem me prender, me segurar durante muito mais tempo. as amarras que me enclausuram no sistema percepto-cognitivo do mundo, controlando freqüências, modulando experiências, circunscrevendo territórios, planícies mais ou menos fertéis, onde posso plantar e semear tudo aquilo que sempre quis, mas nunca soube. aparece-me, cada vez mais clara, a força do meio que toma forma e força passagem pelo muro do recalque, de minhas desilusões há muito esquecidas. esse meio me obriga a admitir o movimento do outro, a compreender, ou pelo menos tentar, seu ritmo e identificar os momentos de explosão, típicos de um salto qualitativo, que nos impulsiona além de nossos limites, das rédeas da normalização. nesses breves e fugazes instantes conseguimos vislumbrar como seria se fôssemos capazes de instaurar novas normas a partir de nosso desejo, de alçar novos vôos sempre que as forças do recalque nos cristalizassem a ação. é esse meu objetivo: instaurar uma nova norma e romper com o paradigma que me mantém enclausurado nesta forma abstrata e inconsolada.
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