imagine (se é que há algum leitor dessa joça) essa idéia que alimento há algum tempo para tentar explicar o sentido da vida, ou o modo como vivemos.
somos organismos vivos em eterna mutação. na verdade, essa mutação parte tanto de dentro para fora quanto de fora para dentro, tudo depende das bordas, das fronteiras entre nosso corpo e o meio. quanto mais pontos de contato e quanto maior o nível de permeabilidade, maior será a influência de um no outro. de certo, para identificar se o movimento de transformação parte de dentro ou de fora, seria preciso um acompanhamento próximo e cuidadoso de um sujeito em específico, que explicaria suas decisões, pensamentos e atitudes no decorrer de sua relação com o meio e com os outros.
para melhorar a linguagem e facilitar a digestão, simplifico: já que somos todos organismos vivos em eterna mutação, nada melhor para exemplificar essa idéia com uma metáfora já bem desgastada, a de que a vida é um rio. pois bem, se a vida é um rio, podemos deduzir que existem margens, fundo, algas, pedras, outros organismos, a floresta ao redor, as raízes e, é claro, a água corrente. somos, portanto, tudo isso ao mesmo tempo. refletimos em nossas atitudes, nossas escolhas, cada parte que compõe o rio de nossas vidas, às vezes, sendo mais pedra, outras mais água e noutras ainda, mais floresta. certo é que nunca deixamos de nos movimentar, mesmo que sejamos aquela alga presa à pedra no fundo do rio. aproveito esse afluente para detalhar essa idéia.
o movimento ininterrupto de nossas vidas é, em alguns breves momentos, interrompido, ou cadenciado quando escolhemos (ou escolhem por nós, no caso do meio influenciar mais que o organismo) agarrar-nos à alguma pedra ou raiz no leito do rio. em outros breves instantes somos jogados à margem ou subimos à superfície do rio e alcançamos à floresta ou quem sabe às nuvens numa súbita explosão de harmonia entre céu, terra e água.
qual a distância do rio? sua extensão e profundidade? que tipos de árvores vivem ao redor? quais outros organismos vivem nessas águas? é pedregoso, arenoso ou límpido rio de águas cristalinas? respostas que vão ter de aguardar até a próxima postagem para serem atendidas. enquanto isso fica o pensamento: o rio nunca é o mesmo rio.
Wednesday, August 15, 2007
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2 comments:
''Um rio passou dentro de mim que não teve jeito de atravessar Preciso um navio pra me levar Preciso aprender os mistérios do rio pra te navegar..... Vida breve, natureza Quem mandou, coração?'' Conhece a música? Um beijo. Adoro seu blog.
Minha canoa virou e continuo remando...
As margens, as vejo de longe e não me apresso em alcançar.
Me deixo levar flutuando sobre a forte correnteza dos acontecimentos da vida.
Quando menos esperamos somos surpreendidos com as curvas,
que viram até mesmo os maiores barcos...aqueles que nos levam mais longe, mais rápido.
Valente, sua poética me inspira...
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