Monday, September 17, 2007
de hoje para amanhã
o que, de pulos e precipícios, se faz de um homem? quem corre por matas e rios, pisa em baratas e dorme aux beuax etoiles, com a leve esperança de acordar mais jovem ou mais esperto? ah... declino propostas de amor superficial, de toques inusitados ou indesejados. o que continua a brilhar nos olhos de quem sofre? o que atrai as pessoas para aqueles que gritam de dor e choram lágrimas de morte? por que, senão tristeza e frustração, as pessoas se envolvem? para manter um laço com o mundo, uma vez partido, perdido no tempo do anonimato. quem são aqueles que tropeçam no ar e balançam as redes do infinito? o que fazem por nós os triunfos da alma esquecida? como fugir dessa lista de corpos mutilados em pequenas telas de cristal? o que fazer diante do marasmo de uma vida perdida em sonhos e desilusão? quando avistarei o navio que me levará para bem longe, para aquele lugar que não sei o nome, mas me chama como paraíso na terra? sigo, persigo, o caminho, o desvario do buraco da palavra, dos limites entre a letra e o raciocínio. que beleza me trazem as embarcações de outrora? de um passado tão longínquo quanto o medo que reside aqui. das ruas e esquinas se forma a imagem de um corpo ambulante, que persiste ambulante, que resiste ao vento e à máquina que nos controle e governa a todos. soluços de saudades, gritos de alegria e vazio de fome. dias sem dormir, noites sem comer, semanas sem tocar ou saborear algo da alma, que nutre e anima o corpo. confusão e desejo. queimo em pequenas parcelas de horário de almoço, de pequenos lanches para passar o tempo e resistir ao vazio absoluto do tempo. o que, de fato, fazer frente ao buraco da existência? o que poderei responder quando a morte chegar? o que direi a ela? o que apresentarei como currículo? resumo de uma vida, papel inviolado, coberto de sangue e defecação. símbolos de ontem, ícones de amanhã, figuras de linguagem, concreta, absoluta, repleta, de conchas e ninhos, chalés e rodamoinhos. roda mundo, roda peão. letras, odores e enigmas... sigo, prossigo, persisto. até amanhã.
Friday, September 14, 2007
infância em concreto
a tristeza solitária da menina lhe traga entre os fios e calças penduradas. seus dedos pequeninos cintilam na beirada, tocando a corrente que sustenta a janela. procura passar o tempo. guarda suspiros de angústia e tristeza. cabelos soltos lhe cobrem o rosto e os olhos. a boca entreaberta parece dizer algo incompreensível, um lamúrio perdido no tempo corrido do centro. o quadro de alumínio suspende seu corpo e a alça num vôo pueril de lembranças e devaneios. a buzina lhe acende o espírito, lhe tira o sossego. o caminhão interrompe a exibição e faz parar o tempo. as portas abrem e fecham, fazem corpos e olhos perambularem soltos, perdidos. pequenos instantes de lucidez e transparência. súbitos ataques de consciência e perplexidade frente ao inusitado do dia a dia. o silencio perdura e resgata o incólume sentimento de solidão projetado na criança. infância em concreto, cinza e enfumaçada, solitária e entristecida. braços finos e alongados tocam o céu da imaginação e fazem carinho no vazio da fome intelectual. perguntas e respostas de um ser desesperado, despreparado para a vida, para a morte. sinais de trânsito, de dor e prazer. prazer solitário em assistir ao circo da vida.
Friday, September 07, 2007
tráfego
seria tão absurdo assim eu esquecer meu próprio nome? aquilo que me significa no mundo? seria possível ,ou uma mera utopia, um sonho filmado num quadro, numa tela. pausa. siga. jogue. pinte e borde. deixe teu coração partir. quebrar em pequeninos estilhaços de sangue e carne-trêmula. qual desses nomes sobressai? qual deles sobreviverá ao desperdício da palavra? o que de mim restará? logo após as palavras escaparem de minha alma, descortinando meu corpo, revelando seu poder, cobriram meus olhos, impediram-me de ver aquilo que se me colocava como vida.
em vida, num sentido, seguindo um caminho, infinito de descobertas e lembranças. limiar entre completude e vazio. o abismo do corpo é a gaveta do armário, a panela de pressão que empurra e explode, lançca sua tampa em pleno vôo espiritual. onde está meu corpo? para onde olho? para onde meus olhos carregam meu corpo? sigo meus instintos, meus sentidos, meus dedos. cores e formas, linhas e possibilidades. mero possível, intangível sonho realizado. percepção obtusa da realidade, mitificada do sujeito. perplexidades impalpáveis. grilos apitam e agitam a noite. o vento frio aquece o peito e faz pensar: no que quero tocar? o que me dá prazer? será apenas um sonho?
em que vida seguirá? seu sentido é perdido? comprido. encurtado. decidido no imediato. no olhar. no perceber-se a si mesmo em pleno vôo. cristais de nuvens e cubos de gelo despencam do céu e cutucam o estômago do gigante deitado. seu pulmão filtra o ar, preenche a rua, suas mãos tocam o peito, cobrem a lua. seu corpo enorme ocupa o quarteirão, sua pose desleixada preocupa um batalhão. perde-se a conta dos dias, das noites, da esperança em vê-lo ir embora. mas não. a cada dia que nasce, o gigante acorda e levanta, sai à procura de algo a comer, qualquer coisa que caiba em sua boca de trator. suas pegadas arrastam postes, fios e rede elétrica. a população desistiu, foram embora, à procura de algo menor que eles a comer.
no que a vida se tornara? que possibilidades de sonhos surgiram? que pétalas irão ventanear? as águas límpidas que tombam do céu, limpam o chão poluído da terra. a represa de sentimentos irrompe a barreira e cai em prantos de cachoeira, em momentos de delicadeza infinita. corridas e passos firmes, olhares e apertos de mão. sorrisos, lampejos de idéia. preconceito, precavido, pecaminoso.
cristão. cruzes. credo. cor. caminho. colisão. comportamento. comunicação.
agimos em vão. à volta do rio. das margens ao infinito. ao fundo do poço. do coração. da cabeça que brilha ao luar. que guia o corpo pela rua, que posta a carta e aguarda o mensageiro. o espaço do tempo, o tempo do espaço. que vida além de um passo atrás de outro passo?
que podemos chamar de olhar? de encantamento? de luxúria? não me aborreço com pouca coisa. existem tantos buracos e pregos quanto a madeira e a caixaria. as tábuas estão suspensas. o odor da carne morta, assada, do suco leitoso que o rodeia, entremeia em minha pele a visão de um amanhã mais tenro, mais senso, mais lento. d eum aplanta crescendo, de um albatroz em rasante, de uma baleia num rompante.
ângulos e superfícies de desejo, de fuga capaz de fissurar, de (ir)romper com o espelho da realidade, do vazio inevitável da procura. procuras o que? onde miras o olhar? em que pretendes chegar? dedos e unhas, cravos e canela. pinturas à mão, móveis contorcidos. madeira e ferro, vidro e plástico. castigo e redenção. num navio esculpido em pedra sabão, numa casa feita à mão. sacos de dormir, calor humano. cabeças que pensam, bocas que falam, olhos que flertam. mãos que tocam, dedos que entram. pernas se soltam, bocas se unem.
em vida, num sentido, seguindo um caminho, infinito de descobertas e lembranças. limiar entre completude e vazio. o abismo do corpo é a gaveta do armário, a panela de pressão que empurra e explode, lançca sua tampa em pleno vôo espiritual. onde está meu corpo? para onde olho? para onde meus olhos carregam meu corpo? sigo meus instintos, meus sentidos, meus dedos. cores e formas, linhas e possibilidades. mero possível, intangível sonho realizado. percepção obtusa da realidade, mitificada do sujeito. perplexidades impalpáveis. grilos apitam e agitam a noite. o vento frio aquece o peito e faz pensar: no que quero tocar? o que me dá prazer? será apenas um sonho?
em que vida seguirá? seu sentido é perdido? comprido. encurtado. decidido no imediato. no olhar. no perceber-se a si mesmo em pleno vôo. cristais de nuvens e cubos de gelo despencam do céu e cutucam o estômago do gigante deitado. seu pulmão filtra o ar, preenche a rua, suas mãos tocam o peito, cobrem a lua. seu corpo enorme ocupa o quarteirão, sua pose desleixada preocupa um batalhão. perde-se a conta dos dias, das noites, da esperança em vê-lo ir embora. mas não. a cada dia que nasce, o gigante acorda e levanta, sai à procura de algo a comer, qualquer coisa que caiba em sua boca de trator. suas pegadas arrastam postes, fios e rede elétrica. a população desistiu, foram embora, à procura de algo menor que eles a comer.
no que a vida se tornara? que possibilidades de sonhos surgiram? que pétalas irão ventanear? as águas límpidas que tombam do céu, limpam o chão poluído da terra. a represa de sentimentos irrompe a barreira e cai em prantos de cachoeira, em momentos de delicadeza infinita. corridas e passos firmes, olhares e apertos de mão. sorrisos, lampejos de idéia. preconceito, precavido, pecaminoso.
cristão. cruzes. credo. cor. caminho. colisão. comportamento. comunicação.
agimos em vão. à volta do rio. das margens ao infinito. ao fundo do poço. do coração. da cabeça que brilha ao luar. que guia o corpo pela rua, que posta a carta e aguarda o mensageiro. o espaço do tempo, o tempo do espaço. que vida além de um passo atrás de outro passo?
que podemos chamar de olhar? de encantamento? de luxúria? não me aborreço com pouca coisa. existem tantos buracos e pregos quanto a madeira e a caixaria. as tábuas estão suspensas. o odor da carne morta, assada, do suco leitoso que o rodeia, entremeia em minha pele a visão de um amanhã mais tenro, mais senso, mais lento. d eum aplanta crescendo, de um albatroz em rasante, de uma baleia num rompante.
ângulos e superfícies de desejo, de fuga capaz de fissurar, de (ir)romper com o espelho da realidade, do vazio inevitável da procura. procuras o que? onde miras o olhar? em que pretendes chegar? dedos e unhas, cravos e canela. pinturas à mão, móveis contorcidos. madeira e ferro, vidro e plástico. castigo e redenção. num navio esculpido em pedra sabão, numa casa feita à mão. sacos de dormir, calor humano. cabeças que pensam, bocas que falam, olhos que flertam. mãos que tocam, dedos que entram. pernas se soltam, bocas se unem.
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