seria tão absurdo assim eu esquecer meu próprio nome? aquilo que me significa no mundo? seria possível ,ou uma mera utopia, um sonho filmado num quadro, numa tela. pausa. siga. jogue. pinte e borde. deixe teu coração partir. quebrar em pequeninos estilhaços de sangue e carne-trêmula. qual desses nomes sobressai? qual deles sobreviverá ao desperdício da palavra? o que de mim restará? logo após as palavras escaparem de minha alma, descortinando meu corpo, revelando seu poder, cobriram meus olhos, impediram-me de ver aquilo que se me colocava como vida.
em vida, num sentido, seguindo um caminho, infinito de descobertas e lembranças. limiar entre completude e vazio. o abismo do corpo é a gaveta do armário, a panela de pressão que empurra e explode, lançca sua tampa em pleno vôo espiritual. onde está meu corpo? para onde olho? para onde meus olhos carregam meu corpo? sigo meus instintos, meus sentidos, meus dedos. cores e formas, linhas e possibilidades. mero possível, intangível sonho realizado. percepção obtusa da realidade, mitificada do sujeito. perplexidades impalpáveis. grilos apitam e agitam a noite. o vento frio aquece o peito e faz pensar: no que quero tocar? o que me dá prazer? será apenas um sonho?
em que vida seguirá? seu sentido é perdido? comprido. encurtado. decidido no imediato. no olhar. no perceber-se a si mesmo em pleno vôo. cristais de nuvens e cubos de gelo despencam do céu e cutucam o estômago do gigante deitado. seu pulmão filtra o ar, preenche a rua, suas mãos tocam o peito, cobrem a lua. seu corpo enorme ocupa o quarteirão, sua pose desleixada preocupa um batalhão. perde-se a conta dos dias, das noites, da esperança em vê-lo ir embora. mas não. a cada dia que nasce, o gigante acorda e levanta, sai à procura de algo a comer, qualquer coisa que caiba em sua boca de trator. suas pegadas arrastam postes, fios e rede elétrica. a população desistiu, foram embora, à procura de algo menor que eles a comer.
no que a vida se tornara? que possibilidades de sonhos surgiram? que pétalas irão ventanear? as águas límpidas que tombam do céu, limpam o chão poluído da terra. a represa de sentimentos irrompe a barreira e cai em prantos de cachoeira, em momentos de delicadeza infinita. corridas e passos firmes, olhares e apertos de mão. sorrisos, lampejos de idéia. preconceito, precavido, pecaminoso.
cristão. cruzes. credo. cor. caminho. colisão. comportamento. comunicação.
agimos em vão. à volta do rio. das margens ao infinito. ao fundo do poço. do coração. da cabeça que brilha ao luar. que guia o corpo pela rua, que posta a carta e aguarda o mensageiro. o espaço do tempo, o tempo do espaço. que vida além de um passo atrás de outro passo?
que podemos chamar de olhar? de encantamento? de luxúria? não me aborreço com pouca coisa. existem tantos buracos e pregos quanto a madeira e a caixaria. as tábuas estão suspensas. o odor da carne morta, assada, do suco leitoso que o rodeia, entremeia em minha pele a visão de um amanhã mais tenro, mais senso, mais lento. d eum aplanta crescendo, de um albatroz em rasante, de uma baleia num rompante.
ângulos e superfícies de desejo, de fuga capaz de fissurar, de (ir)romper com o espelho da realidade, do vazio inevitável da procura. procuras o que? onde miras o olhar? em que pretendes chegar? dedos e unhas, cravos e canela. pinturas à mão, móveis contorcidos. madeira e ferro, vidro e plástico. castigo e redenção. num navio esculpido em pedra sabão, numa casa feita à mão. sacos de dormir, calor humano. cabeças que pensam, bocas que falam, olhos que flertam. mãos que tocam, dedos que entram. pernas se soltam, bocas se unem.
Friday, September 07, 2007
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1 comment:
Pedaços de cacos, estilhaços de um coração partido,
perdido entre cachos, abraços e beijos...
Suor na despedida. Revela desejo.
Distancia entre corpos. Olhares para o infinito.
Saudade? Fantasias? Nostalgia?
Fantasmas da vida me assustam desprevenida!
Tráfego conturbado de pensamentos oscilantes como a maré.
Desculpas sem sentido, algo que se perde.
Momentos de interiorização,
encontro de pensamentos que flutuam pelo ar...
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