Sunday, October 07, 2007
perguntas
as figuras do discurso amoroso deslizam em tons e aromas suaves que passam ligeiro ao sabor do vento. as pistas de uma figura repentina se fez, como uma máscara velada, um retrato omitido, uma página virada. não há respostas pois não há perguntas cabíveis ao discurso amoroso, ou que tende a falar do amor tal como o compreendemos hoje em nossa cultura e sociedade. perplexos, soltos, efasivos, fugidios e alertas, sedentos por algo inusitado, novo, dourado, quente e acolhedor. sonhos de um paríso, de um poço de satisfação, de um balde de luxúria e prazer incontáveis. toques e olhares e apertos que se passa com a vida. nos ensina a refletir, a ter calma e perseverar num caminho. a escolha do sujeito por uma posição existencial diante do mundo é sua rota de salvação, seu resplendor dourado e brilhante, quebrando cristais no céu ensolorado sobre o jardim. as cores, o vento, as pequenas ondas e os trapiches. as pessoas que passam olhando, as palmeiras que balançam ao vento. sua postura é de acolhimento e sedução, uma mistura perfeita para fazer as sugestões corretas, no ritmo certo, balanceado, cadenciado, com suavidade e elegância. os olhos sugerem uma porta, uma fresta, uma beirada, talvez um precipício. não sei o quê. as linhas desenhavam cortes e brechas, fissuras no tecido velho e desgastado. há, porém, a tentativa de escolha, a opção que cabe ao sujeito, que lhe pertence, o cheque a depositar, a carta a entregar. sigo autoral, postural, retendo, ocioso, a energia de um velho paquiderme, de um artrópodo, de um ser incomunicável, silencioso e entregue aos pensamentos. contração de energia e deslizamentos seguidos sobre as mais conhecidas fugas. não entendo como consigo dar conta dessa existência, sem sentido, sem beirada, sem estrada, nem rumo. o caminho sou eu que faço, fazendo curvas e dobrando esquinas, encarando a vida como ela se apresenta, com suas oportunidades, seus cânions e labirintos, seus abismos existenciais. as postagens refletem momentos, insights, replicam uma realidade de perdas e despedidas, de angústias e solidão. um olhar triste e tedioso paira sobre mim e minha ura se escurece, perde o brilho e o interesse de afogar-se no mundo. minha tendência é inata, ao desespero da solidão, ao romantismo do isolamento, do apego à natureza, da certeza que um dia voltarei para aquele lugar tão sonhado, várias vezes perdido, de Mãe. o aleitamento, a percepção de um olhar uno, mas dividido, fragmento e rompido em tenra idade. as características anormais e doentias, as dores castigantes, a perplexidade mental e prostração geral, os estados da alma do desespero existencial, do grito mudo que nos faz sucumbir ao fracasso premente de nossas vidas. acreditar numa ilusão? continuar tentando, forçando o mundo a me aceitar; quem sabe resignar-me a um lugar simples e sem complicações? perguntas... elas voltam
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1 comment:
O silencio oculta o que no coração atordoa.
Absurdo é uma palavra que frequentemente se usa para o indisivel...
Vivo o absurdo no silêncio das noites, intervalo entre sonhos distantes.
Marcas do caminho que seguimos não são apagadas.
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