Tuesday, November 20, 2007

palavras e vazio

se o mundo fosse feito de palavras e olhares, o que seria de nossos corpos, de nossas almas que flutuam ao sabor da brisa em plena primavera? se o mundo dependesse estritamente de dinheiro e status quo, o que seria do amor e do carinho que guardamos com tanto cuidado em pequenas caixas nas estantes ou nas gavetas do quarto? ai, o que seria de mim? último romântico a existir, a respirar este ar poluído e fétido de nossas cidades malcuidadas, descuidadas, esquecidas, como pequenos seres que sobrevivem do lixo, das latinhas e do resto do mundo. a voz rouca encanta meus ouvidos, me traz lembranças de um tempo já perdido da infância, de um calor incrível de verão, sem suor, nem lágrimas, preservado em estado artificial num ambiente condicionado, climatizado por exaustores e máquinas repetidoras, prefixos de corpos imaginários, refletidos, tidos, perdidos, fragmentados em pequenas partículas das páginas de revistas. glamour, dinheiro, poder, sensualidade, o que mais sobra nesse supermercado de mercadorias estragadas e podres? o que procuro nas estantes da vida? o que espero do mundo, dos olhos que outrora tive a meu lado? da voz que outro dia me confortava, me acordava e lembrava como era bom viver junto com alguém... ai, palavras, mortas, machucadas, como quem as coloca no mundo, mesmo que virtual, porém, real para quem as lê. sem saber ao certo quem as enfrentará e o que dirá em seguida, que partículas irá levantar, que corpos irá tocar, ou almas irá machucar. são apenas palavras que, mais uma vez, caírão no breu do vazio perpétuo, despencando no abismo das catástrofes individuais, vividas em pequenos quartos de madeira e chão batido. lágrimas tardam em escorrer pelo rosto, lembranças de dias e noites, de tardes infindas, de esperanças e sonhos, de devaneios divididos. quem sou eu? o que faço? o caminho é torto, repleto de esquinas, de curvas e sinais. o que estou pronto para traduzir? o que ponho para refletir em pequenos pedaços de espelho quebrado? sinto, como sinto, as coisas, as imagens, os sons, as cores, os cheiros, as texturas... ai como choro, o vazio, o ar que respiro, as noites maldormidas, as manhãs desperdiçadas... ai se pudesse gritar tão alto para que me ouvisse e pudesse sentir meu choro mudo, minhas lágrimas secas que brotam em momentos tão inoportunos quanto uma vontade súbita de cagar. quero colocar para fora isso que arde dentro de mim, das lembranças de um amor rompido, até as esperanças do futuro próximo. para onde estou indo... mar sem ondas, praia sem vento, sol sem lua, céu sem terra. catapulta do desejo, vazio premente, escuridão secular, idade média do amor...

1 comment:

liberdade said...

Vazio...
Vamos voar
Amor
Zumbi, guerreiro Africano, escravo, nunca desistiu de seus sonhos.
Joana Dark, guerreira mulher, na época em que eramos menosprezadas pelos homens...venceu batalhas e lutou pelo seu povo, no que acreditava ser certo.
Qual é sua luta? O que deseja? O que quer mudar? Qual é sua fome?
Perguntas sem resposta? Sinal de vida, transformação, descoberta.