Tuesday, December 25, 2007
ambulante
não sei bem o que vim escrever aqui, mas a vontade de colocar para fora algumas idéias e sentimentos me levou a procurar um cyber assim que cheguei na Lagoa. procuro o que fazer durante as noites, fujo do sono, da morte obliterada dos sonhos. resisto, não importa o esforço. procuro em cada esquina, em cada olhar, uma resposta para o que sinto, para o que passa pela minha mente. talvez resposta não seja a palavra, seria mais uma posição, um contorno, uma linha que me ajudasse a conduzir minha vida. amor, paixão, tristeza, solidão. são tantos sentimentos que me invadem. lembranças, expectativas, sonhos, devaneios, histórias. cruzamentos de desejos. enlace de corpos. retorcido, contorcido, envelhecido. com o tempo, passo de um lado a outro, de um olhar a outro, de um canto a outro. esgueirando pelas pilastras de matiz obscuro e nebuloso. o que faço aqui? o que procuro nesse lugar solitário, longe do contato, do toque? medo? receio? feridas? cicatrizes que não secam, imagens que não somem. linhas que somem, pisos escorregadios. mundos perdidos. hoje esperava acontecer o que nunca acontece, o inusitado, o inesperado que nos assalta de repente. esperava abrir os olhos e ver de forma diferente, enxergar o que os outros não vêem. escutar os pensamentos daqueles que lanço o olhar. pés e mãos correm pelas ruas, respeitam os espaços, os vazios entre eu e você. caminho trôpego, pé a pé, e o corpo me lança como um pedaço de carne mal tratado. os movimentos suaves e lentos da arte chinesa me levam à calmaria que desejo. o relâmpago que guardo queima meu peito e me lança mais uma vez no vazio das areias. caminho descalço, sinto o sol arder a pele e o vento suave que disfarça as queimaduras no rosto seco e salgado de suor. perco-me em devaneios e imagens desconexas, em pequenos pedaços de reflexo quebrado, de um caminho descrito em algas e mariscos, em ondulações infinitas de um mundo descascado e pérfido. palavras e conceitos de uma outra época, de um ser que caminha, ambulante, pelas ruas dessa cidade.
Sunday, December 16, 2007
minha história
resolvi postar alguma coisa para tentar dar vazão a isso que me aflige. um pensamento fixo, obstinado, que oblitera minha capacidade de pensar e raciocinar, me fazendo agir de maneira estúpida e infantil, regredindo aos primórdios de uma depressão fulminante. nesse instante mesmo ela me faz perder a habilidade de escrever e discernir idéias e sentimentos, me tornando um pacote vazio e sem direção, incapaz de resolver por mim mesmo, buscando sempre o olhar do outro para localizar-me. não entendo a loucura que rege minha mente. os pensamentos, as idéias, esse torpor de corpo e mente, que me dilacera o tempo e me reduz ao pó. não encontro caminho possível e todas as soluções permeiam a presença de alguém que me recoloque no ar, no fio da vida, na correnteza do rio. parece que estou fora d'água, meu ambiente natural. tenho dificuldades para respirar e mexer meu corpo. aflito, busco algo a prender meu corpo, na tentativa vã de encontrar repouso, que não existe, que não chega. paraíso perdido, por contingências e escolhas, por caminhos diferentes e desejos incontroláveis. a gula, o vício, a perdição. o caminho da amargura, do poço que me aprisiona. e do fogo que me consome não consigo nem pronunciar. minha voz se cala, meu corpo se contrai e meu peito palpita. minha mente não pára, não se aquieta. uma angústia densa e profunda invade cada poro de meu corpo e me congela como um pequeno cubo, guardado e esquecido no congelador. a tristeza que teima em ficar, é companheira de várias horas e momentos. a alegria, tênue e recatada, não queima e arde como o fogo que me consome essa fixação. o grito não chega, não há o que ou quem despertar, somente eu mesmo. de fora para dentro, de dentro para fora? crio possibilidades e realidades a cada momento em que reparo nessa vida, nesse entroncamento de destinos e olhares. esbarro na montanha da vida, na árvore do conhecimento que me oferece frutos de profundo saber e eterno sofrimento. regojizo, alegria, amor, felicidade e completude. perdido e afastado de tudo isso, redimo-me ao sofrimento econômico, ao apocalipse da solidão, do isolamento e mergulho nas águas infinitas de minha história.
Thursday, December 06, 2007
Homenagem a Raquel
já começo essa pequena homenagem com um pedido de desculpas pelo atraso da postagem, ou pela impossibilidade de transmitir tudo que sinto por esse veículo limitado e fugaz. mas, como o tempo, para mim, não existe enquanto matéria dada, a não ser que alguém o observe e procure mensurá-lo (ainda não entendi muito bem a razão de contar o tempo...), aproveito a oportunidade para deixar aqui essa homenagem a Raquel, que no último dia 4 completou 27 anos. tristes esperanças dão lugar às lembranças de um amor por inteiro, de um casamento sem papel assinado, mas cravado no peito. não sei direito o que dizer em tua homenagem, ou o que levaria na silhueta das palavras o recado que gostaria de te dar. não estamos juntos e, portanto, não posso lhe dar um abraço apertado e um beijo bem forte, olhando-te nos olhos e sentindo o palpitar leve e incontido de nossos corações. não estou ao teu lado para te render meus parabéns e meu desejo profundo de vê-la crescer, amadurecer e colher os frutos que planta e cuida com tanto cuidado, carinho e afeição.
foi assim que cuidaste de nós e de nosso amor. com dedicação, paciência (e olha que tens que ter paciência para me aturar!!) e carinho. devo render essa homenagem de maneira simples e direta, dizendo pra ti tudo aquilo que sou capaz de dizer com relação a você que tanto amo e desejo bem. primeiro, não lhe daria a "Luneta Mágica", nem com o poder da visão do bem, tampouco com a visão do mal. poderia, quem sabe, lhe dar a visão do bom senso, mas se encontrasse essa luneta acho que provavelmente a guardaria comigo... pois não há coisa que eu precise mais do que bom senso!
aniversários são sempre conturbados, repletos de emoções e lembranças que povoam nossas almas. nos trazem imagens e sentimentos que muitas vezes não queremos olhar, mas o teu aniversário me trouxe muitas lembranças boas e situações que me fizeram ter a certeza da singular importância que você fez e ainda faz na minha vida. espero que sempre tenhas isso em mente, mesmo fazendo as escolhas que fiz, sempre carrego-te comigo e tenho-te como interlocutora durante meus dias de solidão e inspiração.
Raquel, tu és isso: inspiração! fogo que arde em eterna paixão! te adoro e te quero muito. espero que teus dias se revelem cada vez mais iluminados e repletos de encantamentos e descobrimentos. nunca esqueça disso: tu és única e inigualável, sejas assim sempre e terás tudo que desejares. um beijo enorme na minha eterna menina com uma flor.
foi assim que cuidaste de nós e de nosso amor. com dedicação, paciência (e olha que tens que ter paciência para me aturar!!) e carinho. devo render essa homenagem de maneira simples e direta, dizendo pra ti tudo aquilo que sou capaz de dizer com relação a você que tanto amo e desejo bem. primeiro, não lhe daria a "Luneta Mágica", nem com o poder da visão do bem, tampouco com a visão do mal. poderia, quem sabe, lhe dar a visão do bom senso, mas se encontrasse essa luneta acho que provavelmente a guardaria comigo... pois não há coisa que eu precise mais do que bom senso!
aniversários são sempre conturbados, repletos de emoções e lembranças que povoam nossas almas. nos trazem imagens e sentimentos que muitas vezes não queremos olhar, mas o teu aniversário me trouxe muitas lembranças boas e situações que me fizeram ter a certeza da singular importância que você fez e ainda faz na minha vida. espero que sempre tenhas isso em mente, mesmo fazendo as escolhas que fiz, sempre carrego-te comigo e tenho-te como interlocutora durante meus dias de solidão e inspiração.
Raquel, tu és isso: inspiração! fogo que arde em eterna paixão! te adoro e te quero muito. espero que teus dias se revelem cada vez mais iluminados e repletos de encantamentos e descobrimentos. nunca esqueça disso: tu és única e inigualável, sejas assim sempre e terás tudo que desejares. um beijo enorme na minha eterna menina com uma flor.
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