Tuesday, January 29, 2008
sonhos...
o corpo reclamava, a alma esperava por algum alento, algum descanso que viesse desse lugar longínquo e inacabado dos sonhos. a mente repousava, enquanto as imagens transpunham a realidade vivida para a realidade onírica. as histórias se mesclam, o tempo inexiste, a vertente trata de um desejo inaudito, interdito. o encontro é sublinhado por notícias e milagres, moscas e alienígenas. uma ribanceira, águas escuras e mornas, areia e cascalho. música, ruas maltratadas. uma casa à beira do penhasco, um portão de madeira, vidros e portas semiabertas. uma luz resplandece suave, postes rasteiros iluminam o jardim e traçam a linha para a entrada. quem me recebe é uma garota, magra, esbelta, cabelos ao vento, seus olhos crescem à medida que ganha o espaço enegrecido da noite. suas mãos alcançam longe, seus movimentos são suaves e objetivos. quem sai em seguida é a mãe e o pai. são todos de outro lugar, seus poderes transcendem os nossos. sabem o que quero, que não sou de guerra e me convidam a entrar. rapidamente estou pedindo carona, chego em casa, há algumas pessoas fazendo churrasco logo em frente. reflito e entendo suas intenções. intuitivo e perspicaz, saco minhas idéias e logro por paz. há um barulho constante, a festa do carnaval não encerra jamais. há pessoas que entram, cães, e outros gatos. não os quero. expulso-os, mas não saem. não sei o que fazer. permaneço imóvel, angustiado, cresce a perplexidade do sonho. as imagens invadem a mente, desenham a história sem que eu saiba o que acontece. o sonho parece me mostrar uma realidade recente, fatos passados, e anseios de um futuro próximo. tudo junto se mostra tão confuso e tão cheio de informações que desisto de encontrar sentido. o sentido é dado pela intuição e permanece. sem que eu saiba, sem que se saiba o que acontece. continuo sonhando, deitado, respiro, abro os olhos, sorrio. que sentido? sentidos oníricos. sonho mais que vivo, sou invadido, cuspo fora o que sinto, o sentido do sonho que me sonha. deito em imagens estranhas, que vêm desde fora, de um lugar desconhecido, do sonho que me faz sonhado.
Friday, January 25, 2008
cinco minutos
antes de chegar em casa, paro, reparo, percebo a luz rarefeita. as pequenas gotas cintilam nos postes, correm, escorrem pelas ruas de terra e brita. as rodas levantam lama, sujam a camisa, a bermuda, o corpo pede descanso. a mente não pára, não perturba, não retarda. a alma, um pouco lavada, um pouco suja, segura o tesão dos olhares, desviados, conturbados, embriagados. um cheiro me leva a passear, uma luz me faz sonhar, um lampejo me assombra, me atormenta a tormenta. de cara emburrada, de olhos semicerrados, de corpo fechado e alma aberta. respiro um pouco do mundo, do movimento do mundo, da continuidade, do infinito do tempo espaço. onde estão vocês, queridos amigos? perambulam pelas cidades do mundo, em pontes aéreas, em pontes engarrafadas, em garrafas encalacradas. sujeira, partículas elementares, pontos que respingam, que respiram. póro aberto, pólo norte, sul, leste, oeste. onde está o centro? onde permaneço no centro? onde permaneço? onde? se é que me escuto, me assombro comigo mesmo, com minha vontade, com minha libido desvairada e torta. suspiro com temores e sonhos molhados, retenho o gozo, perco o sentido, abro os olhos e vejo o miado sem medo de mnha gatinha. olhos vidrados, pede-me: abra a porta, quero sair, respirar o mundo que se abre com o dia. mais um dia, gordinha... quem sabe o que nos aguarda ao abrir da porta? nuvens e sol, vento molhado, temprano, irradia o arco-íris, de uma ponta a outra, cobrindo o céu com mil cores. nuvens, sol e areia. corro para abraçar o mar e entristeço, é sonho, é quimera, é pesadelo de um Deus que me quer sozinho, lutando contra o mundo, contra o muro dos desalentos, dos desalentados, dos desacordados. reflito minha imagem, quebrada em pequenos quadrados de vidro infinito. uma porta se abre. conflito. uma lágrima escorre. já é dia. é sonho. é noite. é sol e lua a alcançar com os dedos, a tocar com a imaginação do devaneio. cinco minutos.
Thursday, January 24, 2008
alguns instantes...
os dias vêm, as noites vão. o tempo parece cavalgar desenfreado de sonhos e desilusão. enfrentamento e combate são palavras e atitudes diárias. olhares e resquícios de um sonho em comum. publico, quase um mês depois, algumas palavras ligeiras, sorrateiras, que pretendem aguçar meus e teus sentidos em busca de um lugar mais tranqüilo, mais calmo. sinto o movimento, o passar do tempo, das horas, do vento. as pessoas circulam, as almas escamoteiam, os corpos transparecem. sinto o poder crescente do tempo, da sabedoria e da paciência. obstinado a perceber os arredores do mundo, entregue aos destinos do sonho, reflito em minha cama. olho na janela, luz que transpassa e invade o quarto, impede de dormir, me levanta e a porta faz abrir. um vento continuo, continuo a resistir, respiro. percebo com pouco de consciência, talvez alguma fluência, o que o destino e o tempo reservam para mim.
Subscribe to:
Posts (Atom)