Friday, January 25, 2008

cinco minutos

antes de chegar em casa, paro, reparo, percebo a luz rarefeita. as pequenas gotas cintilam nos postes, correm, escorrem pelas ruas de terra e brita. as rodas levantam lama, sujam a camisa, a bermuda, o corpo pede descanso. a mente não pára, não perturba, não retarda. a alma, um pouco lavada, um pouco suja, segura o tesão dos olhares, desviados, conturbados, embriagados. um cheiro me leva a passear, uma luz me faz sonhar, um lampejo me assombra, me atormenta a tormenta. de cara emburrada, de olhos semicerrados, de corpo fechado e alma aberta. respiro um pouco do mundo, do movimento do mundo, da continuidade, do infinito do tempo espaço. onde estão vocês, queridos amigos? perambulam pelas cidades do mundo, em pontes aéreas, em pontes engarrafadas, em garrafas encalacradas. sujeira, partículas elementares, pontos que respingam, que respiram. póro aberto, pólo norte, sul, leste, oeste. onde está o centro? onde permaneço no centro? onde permaneço? onde? se é que me escuto, me assombro comigo mesmo, com minha vontade, com minha libido desvairada e torta. suspiro com temores e sonhos molhados, retenho o gozo, perco o sentido, abro os olhos e vejo o miado sem medo de mnha gatinha. olhos vidrados, pede-me: abra a porta, quero sair, respirar o mundo que se abre com o dia. mais um dia, gordinha... quem sabe o que nos aguarda ao abrir da porta? nuvens e sol, vento molhado, temprano, irradia o arco-íris, de uma ponta a outra, cobrindo o céu com mil cores. nuvens, sol e areia. corro para abraçar o mar e entristeço, é sonho, é quimera, é pesadelo de um Deus que me quer sozinho, lutando contra o mundo, contra o muro dos desalentos, dos desalentados, dos desacordados. reflito minha imagem, quebrada em pequenos quadrados de vidro infinito. uma porta se abre. conflito. uma lágrima escorre. já é dia. é sonho. é noite. é sol e lua a alcançar com os dedos, a tocar com a imaginação do devaneio. cinco minutos.

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