Monday, February 11, 2008

...mundos...

quantas vezes preciso entrar em contato com a diferença, com o outro, para enxergar esses mundos... pontos no lugar de sinais... códigos linguísticos, símbolos sociais, imagens e sons de um dia atrás do outro, da passagem de um dia para outro, ou para o outro... quem está olhando para o reflexo fragmentado da realidade; abertos de coração e alma, corpo despedaçado, retorcido em formas tangíveis apenas ao olhar mais aguçado; correntes invisíveis, remédios para a mente, drogas para o corpo, ilusões para a mente, esconderijos para o espírito; caminhos de realização, de procura por um ser constante em inconstante retrato com o outro, aquele, esse, tal e qual a realidade nos permite acessar; modos de subjetivação, de elaboração do trabalho subjetivo, individual, coletivo, associativo, comunicativo;
se um dia desses me encontrares perdido pelas ruas de uma cidade, saberás, facilmente, quem sou, transparência em papel e água, correnteza de eventos e acontecimentos, intencionalidade do ato, fenômeno incomparável de uma energia insaciável, inesgotável;
mas, se um dia desses eu te encontrar perdida pelas ruas de qualquer cidade, saberei, dificilmente, quem és, obscuridade em terra e madeira, dureza da matéria e solidez do desejo, reação em cadeia frente ao meu olhar, satélite, antena que capta frequências entre olhares;
nas linhas do horizonte desenho agora um percurso incerto, repleto de surpresas de possibilidades; escuridão, medo, receio, complexos infantis, traumas, tudo a ser vencido em cada passo, em cada olhar, tropeço e acerto;
caminhos entre mundos, mundos entre caminhos, janelas e ícones, listas de reprodução e portas para auto realização... mundos...

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