Venho dizer, não sei para quem ao certo, umas palavras sobre a vida. Não vou e nem pretendo ser categórico para não passar-me por presunçoso, mas sinto o dever de expor aqui esses pensamentos.
Enquanto algumas pessoas se valem da imagem e aporte físico para conquistar seu espaço no meio circundante, há aqueles que o conquistam com as idéias e com as palavras.
Dizeres e conversas sobre as atitudes dos outros é algo comum e irrefutável entre os que dispõem de algum intelecto. Porém, reparo atônito, a superficialidade das conversas e como o papo transcorre sem alterações, para não dizer da monotonia geral da vida pequeno burguesa.
Para esses que como eu vivem e transitam nesse mundo de dizeres insensíveis ou, quem sabe, invisíveis, eu tenho algumas coisas para colocar. E colocarei sem medo, pois não devo nada a ninguém (talvez um pouco aos meus pais...).
Quando me apercebo numa dessas conversas sobre o caráter e sobre as atitudes individuais, me coloco sempre a questão: o que está acontecendo aqui e agora? A maioria das pessoas se atém ao passado, às experiências para delinear o pensamento. Eu, do meu lado, se posso dizê-lo, postulo o fenômeno, a experiência inaudita e fugidia do presente.
Pense comigo: se as conversas circulam entre corpos e posturas de caráter, as palavras dizem muito mais do presente que do passado. O trânsito, portanto, dos dizeres entre amigos nos joga na correnteza do presente para o futuro, e busca, incessante, a conclusão. Isto é, a metáfora do jogo das relações: chegar a algum lugar. O objetivo é sempre obscuro e repleto de sensações que passam despercebidas enquanto inconscientes do presente.
Voamos na superfície das conversas, sem notar o que realmente perpassa as palavras e as dá suporte. O corpo, objeto perdido e reencontrado, maculado por fábulas e histórias de infância.
Digo, portanto, aos que me escutam, que falem por si e de si. Pois falar dos outros é sempre mais fácil, e todo discurso que se utiliza do outro como apoio é sem dúvida falho e equivocado.
Se dizem que sou petulante, arrogante e presunçoso, é pois o reflexo dessas mesmas características que os aflige, e os joga no poço do maldito.
Repito, sem medo de obliterações: falem de si e olhem para si. Pois o que falam não é nada além do que são.
Tuesday, April 22, 2008
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