Outro dia li numa coluna de uma revista que admiro muito um comentário sobre blogs, dizendo que se tratavam de mais uma das muitas formas de exibicionismo e consumo desenfreados de nossa cultura vigente.
Bom, talvez seja até verdade o que o colunista escreveu, mas para tanto é preciso que haja acesso e muitos comentários. Isto é, só se justificaria o que ele escreveu no caso do blog ser bastante visitado e contar com muitos comentários sob os posts.
Concordo com ele que blogs que tratem de assuntos polêmicos ou da cultura da imagem, tipo os que primam pelas notícias dos famosos, dando supostos "furos" das celebridades, etc. Esses, sem dúvida, devem bater recordes de audiência, tendo em vista que a maioria das pessoas se interessa por esse tipo de besteira.
Porém, não se pode falar nada desses blogs, uma vez que o que faz girar, corroborando com a filosofia vã desses espaços, é o interesse das pessoas, o desejo de ficar sabendo da vida dos outros, ainda mais dos famosos. É claro. Pois da minha vida, anônimo e romântico, ninguém, nem mesmo os meus amigos querem saber.
Não reclamo ou choramingo as mágoas de posts e posts sem nenhum comentário.
Por isso mesmo que posso dizer que não faço parte da parcela que descreveu o colunista na revista. Há anos escrevo nesse blog, colocando pautas que considero interessantes e de suma importância para refletir sobre nossa sociedade e estilos de vida. Quando tem algum comentário sob o post até estranho e já vou olhar reticente, achando que será um anúncio, ou qualquer coisa do tipo. Não, na maioria das vezes é da minha ex que deixa um comentário inspirado ou uma ponta de lamento que não consigo decifrar e me calo.
Portanto, se continuo a postar aqui, mesmo sem comentários, mesmo sem acessos, posso dizer que estou naquela parcela mínima dos bloggers que fazem porque gostam e acreditam realmente que o que dizem pode e fará, algum dia, diferença neste mundo de merda.
Enquanto isso não acontece vou colocando aqui tudo que se passa, sem medo, sem escassez, sem miudez de espírito, deixando para alguns afortunados o direito de resposta sobre aquilo que está dito e, portanto, morto.
Saturday, May 31, 2008
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