Tuesday, May 27, 2008

Tentarei resumir em poucas palavras o que aprendi com minha experiência de vida em Florianópolis, ilha e capital de Santa Catarina.
O mundo se tornou inabitável.
Florianópolis é o tipo de lugar que nos coloca dentro daquilo que há de mais degradante em nossa sociedade atual.
A miséria cultural, o extremo individualismo, a inveja, a relação perversa entre dominantes e dominados. Tudo na famosa "ilha da magia" nos remete ao antropofagismo digno de pequenos povos escondidos no interior da África central.
Todo espaço, toda esquina, cada cruzamento de pernas é uma luta entre corpos, entre desejos.
Cada momento em que encontramos alguém, seja para trocar algumas palavras, seja simplesmente caminhando na mesma calçada, é um confronto que pretende revelar o mais forte, o mais esperto, aquele que sobrepuja o outro.
Talvez pela cultura, talvez pelo povo, quem sabe pelas influências de conquistadores externos, os famosos novos ricos vindos de São Paulo e Curitiba, as pessoas que moram aqui se tornam, ou já nascem, com o desejo de aniquilar o outro.
A diferença (quem sabe?) é tratada com desdém e um desejo assassino, cujos efeitos aparecem nesses pequenos detalhes do dia a dia.
Sempre tem alguém se dar bem em cima dos outros. E aqueles que assumem o trabalho que os nativos não almejam (garçons, cozinheiros, guias, etc.) são arrogantes e impertinentes. Quase como uma tentativa vã de vingar-se de si mesmo por ser um eterno frustrado.
Culpabilizam os "estrangeiros" pelo estado atual da ilha, degradada, suja, empilhada de veículos e casas com cercas eletrificadas. Porém, os nativos tampouco colaboram com o ecossistema (nem político, nem natural), jogando lixo nos ônibus, pescando indevidamente, invadindo a vida daqueles que vieram de fora.
Portanto, o mundo se torna cada vez mais inabitável.
A famosa ilha de Santa Catarina nos revela sem medo o que acontece pelo mundo afora: toda relação é uma relação de poder.
Domina quem pode, é dominado quem concede.

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