Tuesday, May 13, 2008

tu

um pouco de mim, um pouco dos outros, um olhar aqui, algumas palavras ali, mais um olhar, mais algumas palavras, silêncio.
uma respiração pesada invade minha alma, acalma meu espírito inquieto, transborda em reticências, reminiscências de um presente em futuro próximo.
como mergulhar no tempoespaço? o que procurar neste espaço aberto pelo pensamento, repleto de sentimento? as palavras dizem de uma história, de um ser em constante movimento, em perpétua transformação.
camadas de pele, de interface, de microorganismos, bactérias, folhas de papel açucarado que recobrem órgãos e emoções. todas elas, as camadas a-camadas, de cama-da-em-ca-mada caem uma após a outra e revelam o ser que está para nascer.
perfis irreconhecíveis, histórias inverossímeis, controle de rachaduras, ranhuras e brechas de um porvenir sonhado com tesão e devaneio.
trânsito de idéias, corrente simbólica, pontes inefáveis, rios e mares que se chocam. ondas de desejo e lascívia, corpos, carne, metro cúbico do amor terreno, do sexo sem sentido, da boca amaciada pelo azeite. entre ossos e costelas, pulmões e intestinos, gases rarefeitos poluem a atmosfera do desejo incorrompível.
absoluta imensidão do ser em si, absorto no absurdo, inconformado na conformidade da linha horizontal. quebra em si o vértice do conformismo e rompe. cor-rompe com o cedro mágico da ilha, da magia? da putrefação do espírito de uma mente inquieta.
uma respiração a mais, um leve toque de dedos, terá sido por acaso, ou por sorte?
ter te encontrado, re-encontrado quem sabe?, numa ilha deserta, repleta de sons e ruídos intermináveis, de transeuntes lânguidos, esquálidos, em busca do preenchimento disso, daquilo e daquilo outro.
onde está você agora? que tua ausência me demora, delonga a estadia, atrasa a partida... pequenas partículas de lembrança e re-cord-ação, memória imperdível insustentável, que lamenta a perda do objeto, da ranhura desmedida da paixão.
sentimentos e finas lâminas de um líquido espesso, obscuro, impenetrável.
um leve enroscar, rápido, ligeiro entrelábios, inconformidade do tempo, medo, angústia, prazer, sono.
crepita no precipício da incerteza, senhora criança, desnuda de toda verdade invertida.
circula no espaço do vazio, mácula rebelde, absorta na atração de um amor impossível.
respeita o tempo, o vazio da ilha em que se encontra, sejas tua, só tua a mensagem.
rompe as regras, do tempoespaço, mergulha no longo e infinito oceâno, vem comigo.
lança-te em medidas e volumes desconhecidos, procura palavras, letras do indizível.
ressurge assim, devagar, lenta-mente e me atrai, me desprende do chão, me enleva.
meu coração bate, minhas pernas tremam, aquelas malditas borboletas fazem girar.
minha boca pede mais, mais, e mais. um sabor in-provado, ir-resistível, grita em dor.
minhas mãos procuram mais, mais, e mais. um corpo ir-real, ir-realizado, goza em pranto.
chora a perda, mas, junto comigo. o silêncio, o vazio entre nós que não existimos, um pro outro.
chora, sim, chora, lágrimas de dor, de gozo, de amor, de admiração inexplicável.
se um de nós cair em si, que seja de frente pra morte, esta, que nos vem de encontro.
fundo, profundo, profundamente. a-fundo, a-profundo, a-pro-funda-mente.
desrespeita as regras, corrompe teu corpo com o meu.
não admita erros, eles marcam e pode ser mais do que a pele. pode ser a alma.
respeita-te e respira, bem devagar, para o ar entrar e sair, carregando a distância e o vazio.
sorria e deixe que teus olhos te guiem, não tenha medo de errar, eles te engrandecem.
tu és a mais linda entre olhares e bocas, entre sorrisos e metáforas, entre metonímias e aliterações.
saudades de ti, que nunca conheci...

1 comment:

liberdade said...

13 de maio
13 de junho
segredos e sussurros
desejos ocultos revelando-se
entre ouvidos
SURDOS