Seis e meia da manhã, o despertador acaba de me acordar. Preciso tomar banho, fazer a barba, me vestir e sair para o trabalho. Será que dá tempo de tomar um café? comprar um pão na padaria? Acho que não. Vou parar perto do escritório e envolir qualquer coisa.
O trabalho ocupa a maior parte de meus dias. Do despertar até deitar-me novamente na cama são exatamente 14 horas de trabalho diário. Não me queixo. O trabalho me mantém vivo, me dá o sentimento de estar produzindo alguma coisa.
Os processos não param de chegar. Acumulam na minha mesa, uns em cima dos outros. Quando bate certo desespero corro para a bodega aqui perto e compro uma garrafa de vinho que acabo durante o almoço. Graças ao patrão descolamos uma máquina profissional de café espresso para o escritório. Viro três doses caprichadas para acordar depois do tinto redondo e macio. Um cigarro pra provar que sou humano. Prometo que será o último.
Sinto-me alegre e bem disposto. A rotina é a mesma. Acho que todos sabem dela. Desconfio de todos, do ascensorista que sorri discretamente, da secretária que me entrega outro envelope ainda no elevador, dos parceiros que cochicham entre si.
Há muita concorrência no meu ramo de negócios. A indústria do petróleo cresceu absurdamente e as empresas internacionais, as multinacionais, lutam por acordos de exploração e processamento do ouro negro. Tenho certeza que todos no escritório travam lutas silenciosas para fechar os gordos contratos. Mas, pra infelicidade de todos, a maioria cai em minhas mãos.
Não conheço muito bem a razão, mas o patrão faz questão de me entregar alguns, dizendo o seguinte: "presta atenção nesse nome! Esse cara é a bola da vez! Faz parecer que ele errou no relatório e dá o aval favorável à empreiteira. Só esse aí vai te render um novo closet pros seus terninhos de marca"! E sai com uma gargalhada fina e seca. (...)
Thursday, October 08, 2009
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