Thursday, July 29, 2010

Toque de mãe

Quando cirança era muito curioso e perguntava tudo para minha mãe:
- Por que as pessoas morrem? Ao que respondia de seus anos de magistério e consequente ceticismo:
- Para que outras possam nascer, meu filho.
- Por que umas pessoas vivem mais do que outras?
- Depende de como conduzem suas vidas... no entanto, mesmo o mais precavido não pode escapar de uma bala perdida!

Entre tantos assuntos que me despertavam a curiosidade, além da morte, era sua antítese: o nascimento.
- Como as pessoas nascem?
- A mulher dá à luz uma criança concebida de uma relação matrimonial. Respondeu precisa e até mesmo imemorial.
- Mas, mãe, como que EU nasci?
- Ora, você nasceu de seu pai e de mim! Conclamou vitoriosa sobre seu argumento. - Precisamente quatro anos e meio depois de seu irmão. Acrescentou sarcástica.

As pessoas morrem para que outras possam nascer. Quando morrem escolhem o fim, o sem sentido, a solidão da entrega sublime. Quando nascem escolhem o início, o caótico, a entrega solitária ao sublime.
Se nascem todas essas pessoas do consentimento entre um matrimônio, eu não estou tão certo. Porém, vê-se com justiça o olhar que justifica tantas mortes. Para um planeta com graves problemas de povoamento, megalópoles intercontinentais, onde os filamentos do conhecimento se destilarão pelos veios dos rios, na inconstância dos ventos, nos tremores de terra, nas erupções vulcânicas; possam repercutir mudanças fundamentais nas relações humanas.
O que dizer então de um pequeno descuido que pode tirar sua vida e a dos outros? Muito pouco, senão nada a dizer.
Digo, portanto, de uma esperança que brota com cada partida, cada flor, estrela que surge daquela explosão final de vida. Diante de cada pipocar celestial, uma página é virada e a história se faz. Tudo se concretiza em vida e não se preocupe com os supostos "louros" nos céus, pois dizem, pelo menos os espiritualistas, que no céu é igual à terra, a única diferença é que não tem dinheiro, tudo se trata de pontos que se ganham e que se perdem naquela correnteza infinita cuja essência nos nutre o espírito e o desejo de escrever nossa própria história.