Assim, leve e solto, o tempo passa e ao sujeito resta a escolha entre viver e viver. Como assim, viver? Ser no tempo, ser em intenção e engajamento, na erotização de idéias sublimadas. Cultura e vida em sociedade. Regras e valores compartilhados. Idéias sobre gênero, origem, experiência e existência. Fenômenos descritos, adscritos, prescritos por um suposto saber. Busca de títulos, aprofundamento de temas e estruturação de teoria. A lógica do saber institui-se sutilmente entre a construção da realidade subjetiva e a consciência da alteridade inexóravel do tempo. Conceito construído ao longo da estruturação social, com seus respectivos espaços e matérias, disciplinas e controle sob o mesmo teto. A diferença primordial do tempo subjetivo e do tempo cronológico se dá no próprio processo de estruturação de aspectos econômicos e dinâmicos do desejo subjetivo. A sociedade não é o reflexo do sujeito, ou do indivíduo. Este sim, muito mais suscetível à mudança que o meio, o sujeito estabelece defesas para se manter em equilíbrio com este outro. Um brinquedo, um brincar, um olhar, um trabalho, um objetivo. Um outro objetivo e onipresente. Perpétuo diálogo entre desejo e realidade. Ganhos e perdas. Frustrações e alegrias. "Encantos e desencantos do meu caminho". Experiência e aprendizado, desenvolvimento e produção. Obra de um ser desejante, que parte da crise para estabelecer novas normas de funcionamento, aprimorando habilidades e esquecendo outras. Construindo sua rede de contatos, fixações, referências entre pontos da história do sujeito enquanto ser social e urbano. Urbi et orbi. Túneis e trens, carros apressados, ônibus à toda. Barulho e medicância, vadiagem e tráfico. Juventude e infância ameaçadas. Vida arriscada entre prédios e academis de ginástica. Restaurantes e lanchonetes. Longa linha de decadência e corrupção de um povo por si mesmo. Por ser seu próprio chefe, por não cobrir as necessidades mais básicas para o crescimento de um ser criativo e capaz de alterar a determinação da cronologia enquanto inevitável fracasso da vida em sociedade. Engajado e presente o sujeito procura seu espaço, talvez vital. Cria parâmetros para avaliar os riscos e administrar as relações de custo e benefício que estabalece com tudo aquilo ao seu redor. Cabe a ele, ao sujeito de seu desejo, estipular as regras do jogo com a realidade e agir a partir da intencionalidade do ato. Apreendendo o ambiente como outro sujeito passível de mudanças e tão distante quanto o nosso próprio corpo. Da alienação de si e do outro, para a consciência de seu íntimo envolvimento com o meio objeto brinquedo.
Assim, leve e solto, tanto tempo é preciso para descrever sua condição inapreensível de uma realidade que dita as regras e nos coloca horários. Vida em sociedade, aqui vamos nós.
Monday, April 25, 2005
Sunday, April 24, 2005
A perder de vista
Lugares horizontais, linhas verticais, charada descarada, enigma em suspenso.
Presas simples, compridas, afiadas. Horizontes a perder de vista, florestas cobertas de limo.
Passos decididos, olhares compridos, respiração ofegante, limiar da consciência.
Limites e fronteiras a perder de vista.
Palavras perdidas no calabouço da memória, marcas de uma escolha inconsciente.
Frases a perder de vista, experiência da presença viva do outro, um corpo, um olho.
Sentimentos, pensamento e imaginação.
Imagens torcidas, realidades distorcidas, verdades inauditas.
Acordos e contratos, culpa e compromisso.
Neurose e histeria coletivas. Psicose e esquizofrenia sociais.
Perambulo entre linhas e espaços, dedicatórias e lembretes, avisos e tarefas.
Linha mágica do tempo espaço, circunscrevendo histórias e desejos.
Lembranças e recordações de uma vida passada ao relento da madrugada estrelada.
Vento e chuva, assoalho molhado, pingos do teto, suor escorrendo nos olhos.
Sobra de pão, presunto e queijo. Vinho quente e chão encharcado.
Janelas e portas entreabertas.
Fogo e água em eterna batalha queimam aqui dentro, perto do estômago.
Presas simples, compridas, afiadas. Horizontes a perder de vista, florestas cobertas de limo.
Passos decididos, olhares compridos, respiração ofegante, limiar da consciência.
Limites e fronteiras a perder de vista.
Palavras perdidas no calabouço da memória, marcas de uma escolha inconsciente.
Frases a perder de vista, experiência da presença viva do outro, um corpo, um olho.
Sentimentos, pensamento e imaginação.
Imagens torcidas, realidades distorcidas, verdades inauditas.
Acordos e contratos, culpa e compromisso.
Neurose e histeria coletivas. Psicose e esquizofrenia sociais.
Perambulo entre linhas e espaços, dedicatórias e lembretes, avisos e tarefas.
Linha mágica do tempo espaço, circunscrevendo histórias e desejos.
Lembranças e recordações de uma vida passada ao relento da madrugada estrelada.
Vento e chuva, assoalho molhado, pingos do teto, suor escorrendo nos olhos.
Sobra de pão, presunto e queijo. Vinho quente e chão encharcado.
Janelas e portas entreabertas.
Fogo e água em eterna batalha queimam aqui dentro, perto do estômago.
Friday, April 15, 2005
Caminhar junto
Talvez a forma mais precisa de arrematar as palavras no sentido de uma síntese e uma atualização constantes seja explorar um assunto de maneira simples e direta, preservando o objetivo e aprimorando o subjetivo. Num eterno diálogo de criação de uma linguagem universal e uma particular. Uma palavra e uma escuta que dependem do posicionamento no mundo, de um pertencimento ao movimento que nos cerca. Percepção e sensível em paradoxo, em perpétua organização de modos de ser. Mundos-imagem, representação e empírico hipertrofiados impedem o contato com o tempo subjetivo, com a presença viva do outro. Num simples caminhar junto.
Momento em que nos deparamos com uma situação análoga, porém banal e desprovida de uma leitura mais profunda. Quando olhamos mais de perto o caminhar e o vínculo entre corpos-almas que aí se estabelece, atentamos num primeiro e sucinto olhar, para a tensão como efeito do próprio vínculo, da dependência do outro e da relutante entrega ao impossível da relacão sexual.
Recalque e identificação funcionam na mesma medida, enquanto interagem para manter o ser ligado ao mundo, aos seus conceitos e valores, regras e ditames morais. Porém, num caminhar junto todas as regras e crenças parecem cair diante do real do contato, do encontro entre corpos-almas. Este vínculo se estabelece sobre diferentes parâmetros de subjetivação, ou seja, sobre diferentes estruturas de funcionamento dos aparelhos psíquico e somático, acoplando-se em sintonia com um sintoma e uma potência, um campo de força.
Num caminhar junto sentimos este campo de força atuante e oscilando entre passos compartilhados. Caminhar junto significa entrelaçar-se num movimento mútuo de aproximação e distanciamento, permitindo a escolha individual, mas preservando o laço. Não porque ambos queiram atingir a mesma meta, chegar no mesmo ponto. Fato talvez de extrema importância para um caminhar junto saudável e interessante. Mas sim pelo balanço que nos leva a manter o contato, a aprofundar o vínculo, a estabelecer uma relação de confiança. Porém, não discuto generalidades, falo tão-somente daquilo que me afeta da presença viva do outro. Falo de minha relação com o mundo, com as pessoas, os conceitos e os valores que me são impostos.
Tento escolher caminhar junto com minha vida, como companheira e fonte de minha sinergia com o mundo e com os viventes. Me ligo de maneira transparente e respeito a decisão individual, estou certo da prevalência do ponto de vista egocêntrico e frágil de nossa estrutura neurótica.
Por isso, caminhar junto contempla a dimensão do sintoma e, ao mesmo tempo, a potência de criação típica do acontecimento, quando passamos do virtual do empírico para o real do sensível.
Neste caminhar junto, dois corpos discutem e se afagam, trocam informações e experiências ancestrais. Todo o repertório de respostas é acionado para uma interação íntima e para a presença no mundo ao lado de outro ser.
Ser e estar, portanto, interagem nesse momento único de caminhar junto.
ser quem és,
estar com quem queres,
ser entre outros,
estar com outros,
ser um só e ser igual,
estar só e estar com alguém,
ser muitos e poucos
estar com muitos e poucos,
ser e estar onde queres,
estar e ser quem és,
quando queres,
quando sonhes,
quando desejes,
quando morreres ou nasceres,
seres
serestar.
Momento em que nos deparamos com uma situação análoga, porém banal e desprovida de uma leitura mais profunda. Quando olhamos mais de perto o caminhar e o vínculo entre corpos-almas que aí se estabelece, atentamos num primeiro e sucinto olhar, para a tensão como efeito do próprio vínculo, da dependência do outro e da relutante entrega ao impossível da relacão sexual.
Recalque e identificação funcionam na mesma medida, enquanto interagem para manter o ser ligado ao mundo, aos seus conceitos e valores, regras e ditames morais. Porém, num caminhar junto todas as regras e crenças parecem cair diante do real do contato, do encontro entre corpos-almas. Este vínculo se estabelece sobre diferentes parâmetros de subjetivação, ou seja, sobre diferentes estruturas de funcionamento dos aparelhos psíquico e somático, acoplando-se em sintonia com um sintoma e uma potência, um campo de força.
Num caminhar junto sentimos este campo de força atuante e oscilando entre passos compartilhados. Caminhar junto significa entrelaçar-se num movimento mútuo de aproximação e distanciamento, permitindo a escolha individual, mas preservando o laço. Não porque ambos queiram atingir a mesma meta, chegar no mesmo ponto. Fato talvez de extrema importância para um caminhar junto saudável e interessante. Mas sim pelo balanço que nos leva a manter o contato, a aprofundar o vínculo, a estabelecer uma relação de confiança. Porém, não discuto generalidades, falo tão-somente daquilo que me afeta da presença viva do outro. Falo de minha relação com o mundo, com as pessoas, os conceitos e os valores que me são impostos.
Tento escolher caminhar junto com minha vida, como companheira e fonte de minha sinergia com o mundo e com os viventes. Me ligo de maneira transparente e respeito a decisão individual, estou certo da prevalência do ponto de vista egocêntrico e frágil de nossa estrutura neurótica.
Por isso, caminhar junto contempla a dimensão do sintoma e, ao mesmo tempo, a potência de criação típica do acontecimento, quando passamos do virtual do empírico para o real do sensível.
Neste caminhar junto, dois corpos discutem e se afagam, trocam informações e experiências ancestrais. Todo o repertório de respostas é acionado para uma interação íntima e para a presença no mundo ao lado de outro ser.
Ser e estar, portanto, interagem nesse momento único de caminhar junto.
ser quem és,
estar com quem queres,
ser entre outros,
estar com outros,
ser um só e ser igual,
estar só e estar com alguém,
ser muitos e poucos
estar com muitos e poucos,
ser e estar onde queres,
estar e ser quem és,
quando queres,
quando sonhes,
quando desejes,
quando morreres ou nasceres,
seres
serestar.
Tuesday, April 12, 2005
A memoria e fisica
Tudo aquilo que constitui nossa memória parte de uma experiência física, de uma marca no corpo, na matéria do fenômeno. Isso que chamamos de energia, libido, espírito e alma é a conjugação do corpo no tempo espaço de suas experiências sensório psíquicas e, portanto, afetivas. O encadeamento de idéias e significados atribuídos substitui e reverte o efeito da imagem sobre a letra. Um correspondente psíquico estabelece uma conexão com o fato real e permite o escoamento de energia. Uma história contada para dar conta da dor e da perda.
Friday, April 08, 2005
Fantasia e sonhos
De repente, me vejo diante de minha própria imagem. Refletida no vidro de um prédio imenso. Reparo meus movimentos, meu ritmo, meu balanço. Noto como os braços se mexem e como nas pernas me apoio, flexionando-as contra o caminho irregular. Percebo pequenos detalhes, para a grande maioria, despercebidos, às vezes enaltecido.
Olho-me nos olhos, tento perceber a intensidade de meu olhar, procuro por meu corpo uma ilha de tensão e acúmulo de energia. Reviro estômago e vísceras em busca de um ponto singular, único. Vejo fios correndo ao redor do corpo, esticando-se, estirando-se. Perdendo-se no horizonte de fantasia e sonhos.
Antecipo alguns passos, antevejo situações e acontecimentos. Não me permito respirar o presente inaudito, a ausência da palavra morta no virtual desta tela. Estou um passo adiante, um passo atrás. Num contínuo vai e vem de ondas celestiais, as quais não nomeio por humildade e consciência de minha imaturidade.
Repúdio, ódio, esperança e carinho. Mistura humana de uma experiência vivida no presente conjugado de um verbo já escutado. Uma palavra que marca, num sentido e noutro. Numa direção e noutra. Placebo de efeito analítico, reposição de vitaminas.
Respiração do vento da inspiração esquecida no formato antiquado de uma tela quadrada. Gozo do toque do mistério aquecido na pele coberta de suor quente e afoito.
Em fantasia e sonhos percebo esse movimento de um olhar.
Resplandece na esperança de um novo dia, de um eterno acordar.
Recordar, relembrar, rememorar.
Quebra de significados correntes e correntes de significados.
Fragmentação do alienígena, alienação do fragmento.
Sentidos, descaminhos, desparate apaixonado.
Sôfrego balançar de olhos e bocas, corpos nus e almas dialogando.
Esgotamento e saciedade.
Pensamento e saudade.
Beijo e abraço.
Olho-me nos olhos, tento perceber a intensidade de meu olhar, procuro por meu corpo uma ilha de tensão e acúmulo de energia. Reviro estômago e vísceras em busca de um ponto singular, único. Vejo fios correndo ao redor do corpo, esticando-se, estirando-se. Perdendo-se no horizonte de fantasia e sonhos.
Antecipo alguns passos, antevejo situações e acontecimentos. Não me permito respirar o presente inaudito, a ausência da palavra morta no virtual desta tela. Estou um passo adiante, um passo atrás. Num contínuo vai e vem de ondas celestiais, as quais não nomeio por humildade e consciência de minha imaturidade.
Repúdio, ódio, esperança e carinho. Mistura humana de uma experiência vivida no presente conjugado de um verbo já escutado. Uma palavra que marca, num sentido e noutro. Numa direção e noutra. Placebo de efeito analítico, reposição de vitaminas.
Respiração do vento da inspiração esquecida no formato antiquado de uma tela quadrada. Gozo do toque do mistério aquecido na pele coberta de suor quente e afoito.
Em fantasia e sonhos percebo esse movimento de um olhar.
Resplandece na esperança de um novo dia, de um eterno acordar.
Recordar, relembrar, rememorar.
Quebra de significados correntes e correntes de significados.
Fragmentação do alienígena, alienação do fragmento.
Sentidos, descaminhos, desparate apaixonado.
Sôfrego balançar de olhos e bocas, corpos nus e almas dialogando.
Esgotamento e saciedade.
Pensamento e saudade.
Beijo e abraço.
Wednesday, April 06, 2005
Lua que me consola
Nesta noite solitária encontro na lua consolo para minha dor.
Sofro aos poucos, como veneno ao longo dos anos.
Vivo com medo, inseguro e descontrolado.
Passo pelos cantos da vida, esgueirando meu sinal.
Perco horas, dias, semanas, meses e anos.
Repetindo, correndo atrás das mesmas coisas.
Coisas imaginadas, desejadas, perdidas.
A falta precipita o desejo de criar um outro mundo.
Possível ao olhar, ao gosto e ao toque.
Realização da clivagem frente aos limites do real.
Perturbação e percepção distorcida.
Elementos inconscientes e desagradáveis.
Sonhos entrecortados e pedaços de colchas.
Girassóis e rosas, tulipas e hortências.
Borboletas, cigarras, calangos e lagartos.
Raiar infinito de uma estrela.
Procura de sentido para a vida. Trabalhe.
Escuridão da memória, inconstante aprendizado.
Estrelas cintilam e dançam ao ritmo do espaço ilimitado do universo.
Deito-me nas bordas da lua.
Espero chegar esse momento.
De consolo e abrigo, paz para a alma.
Descanso eterno de uma alma danada.
A existir na falta, na borda, na fronteira.
Na dúvida, no clamor, no sofrimento.
Agarro-me às suas curvas, entrego-me a seu apoio.
Respeito seu balanço, seu aconchego.
Sinto o movimento tranquilo da brisa noturna.
Interferências e pensamentos.
Conteúdos, formas e linhas.
Letras, imagens e sons.
Sofro aos poucos, como veneno ao longo dos anos.
Vivo com medo, inseguro e descontrolado.
Passo pelos cantos da vida, esgueirando meu sinal.
Perco horas, dias, semanas, meses e anos.
Repetindo, correndo atrás das mesmas coisas.
Coisas imaginadas, desejadas, perdidas.
A falta precipita o desejo de criar um outro mundo.
Possível ao olhar, ao gosto e ao toque.
Realização da clivagem frente aos limites do real.
Perturbação e percepção distorcida.
Elementos inconscientes e desagradáveis.
Sonhos entrecortados e pedaços de colchas.
Girassóis e rosas, tulipas e hortências.
Borboletas, cigarras, calangos e lagartos.
Raiar infinito de uma estrela.
Procura de sentido para a vida. Trabalhe.
Escuridão da memória, inconstante aprendizado.
Estrelas cintilam e dançam ao ritmo do espaço ilimitado do universo.
Deito-me nas bordas da lua.
Espero chegar esse momento.
De consolo e abrigo, paz para a alma.
Descanso eterno de uma alma danada.
A existir na falta, na borda, na fronteira.
Na dúvida, no clamor, no sofrimento.
Agarro-me às suas curvas, entrego-me a seu apoio.
Respeito seu balanço, seu aconchego.
Sinto o movimento tranquilo da brisa noturna.
Interferências e pensamentos.
Conteúdos, formas e linhas.
Letras, imagens e sons.
Tuesday, April 05, 2005
No limite da razão
Falo desses acontecimentos que não conseguimos explicar.
De uma maneira de no mundo estar. Conectado e despojado.
De um lance de olhar. Uma presença de espírito e captação.
De sentidos e aberturas de discurso, de fala.
De inspiração momentânea e passageira.
Um leve rasteira, um tropeço no mundo das palavras.
Sentimentos aprisionados, esperanças indeterminadas.
Palavras, palavras e palavras.
Sentido em si mesmas, dirigidas a um propósito.
Propaganda, propagar, progredir, proferir, procurar.
Busca incerta por um equilíbrio no fio da vida.
Caminhar sozinho na beirada da falta, compondo um quadro.
Escrevendo um livro ou uma canção.
Letras de um perdido amoroso, de um completo alienado.
Encontro entre almas, diálogo de inconscientes.
Corpos suados, cansados. Respiração calma e profunda.
Paz de espírito e espírito de causa. E efeito.
Ação e reação. Tristeza e alegria andam juntas.
No limite da razão.
De uma maneira de no mundo estar. Conectado e despojado.
De um lance de olhar. Uma presença de espírito e captação.
De sentidos e aberturas de discurso, de fala.
De inspiração momentânea e passageira.
Um leve rasteira, um tropeço no mundo das palavras.
Sentimentos aprisionados, esperanças indeterminadas.
Palavras, palavras e palavras.
Sentido em si mesmas, dirigidas a um propósito.
Propaganda, propagar, progredir, proferir, procurar.
Busca incerta por um equilíbrio no fio da vida.
Caminhar sozinho na beirada da falta, compondo um quadro.
Escrevendo um livro ou uma canção.
Letras de um perdido amoroso, de um completo alienado.
Encontro entre almas, diálogo de inconscientes.
Corpos suados, cansados. Respiração calma e profunda.
Paz de espírito e espírito de causa. E efeito.
Ação e reação. Tristeza e alegria andam juntas.
No limite da razão.
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